domingo, 22 de dezembro de 2013

A estatização do Canecão, verdadeiro show de incompetência (alguém se surpreende?)

No Brasil falar em privatização pega mais mal do que dizer que o Maradona foi melhor do que o Pelé.

Aos olhos de muita gente privatizações nada mais são do que tubarões do poder econômico se utilizando de governantes "entreguistas" para se apoderar daquilo que era do Estado, logo, "do povo". 

Esquecem que no país da economia estatal, hoje não teríamos mais telefones celulares do que habitantes. E isso é apenas um exemplo de como o tripé iniciativa privada-concorrência-fiscalização pode fazer bem a qualquer atividade.

Mas pra quem ainda duvida disso, conheço um belo exemplo prático acontecendo no Rio de Janeiro, que é a história do Canecão, uma das mais antigas casas de espetáculos da cidade.

Depois de 40 anos de "luta", a Universidade Federal do Rio de Janeiro conseguiu recuperar o terreno em que foi erguido o Canecão. O reitor comemorou a "retomada do espaço", os alunos comemoraram, a guerra finalmente foi vencida e todos puderam dizer "o Canecão é nosso!".

Uma notícia publicada no site G1 no dia 10/05/2010 contava tudo em detalhes. Os defensores do patrimônio público tinham vencido mais uma contra os entreguistas.

Só que no dia 20/12/2010, ou seja, pouco mais de sete meses após a reconquista do território, uma reportagem do jornal O Globo mostrava que o Canecão estava "abandonado e sem previsão de reabertura".

Procurado pelo jornal, o diretor de gestão patrimonial da UFRJ declarou que "este assunto passa por várias instâncias da universidade até que se decida o que vai ser feito com a casa. Diversos setores serão consultados para se chegar a um consenso, que será submetido aos órgãos colegiados da universidade".

Ou seja, tudo o que o poder público sabe fazer de melhor: abandonar imóveis, deixar um patrimônio subutilizado e formar comissões para estudar o assunto. De efetivo, nada.

No meio de 2011, ou seja, mais de um ano depois, o Canecão continuava lá: esperando os "consensos" dos "colegiados". Show mesmo só dos ratos passeando pelos entulhos.

E finalmente em 2013 foi anunciado que a casa de shows deve reabrir sob administração da UFRJ, mas só em 2015. Os alunos, no entanto, fazem questão de alertar para o "caráter público" que o estabelecimento deve ter, ou seja, algo de qualidade duvidosa e cheio de inúteis recebendo para não fazer nada.

O presidente do DCE da universidade já avisou que "não quer que volte a ser um lugar em que se cobre valores absurdos por um show, que vise à geração de lucro."

Lógico, porque lucro é uma coisa muito ruim.

Assim onde antes existia um estabelecimento que promovia a cultura e a economia da cidade, agora existe um galpão abandonado no meio de um terreno baldio, mas que "pertence ao estado e não visa lucro".

O resumo da história é que o Canecão foi tomado das mãos dos "porcos capitalistas" para ser transformado em mais um exemplo do porque o poder público não existe para administrar empresas de telefonia, TV a cabo, lanchonetes, aeroportos, carrocinhas de pipoca e nem casas de show.

As ratazanas que hoje moram no que foi o velho Canecão também devem detestar privatizações.




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