segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Camila Pitanga, Fernanda Lima e o sorteio da copa

Evitei ao máximo falar disso, não por algum receio ou algo parecido, mas por preguiça mesmo.

A FIFA resolveu substituir a dupla Camila Pitanga e Lázaro Ramos pelo casal Fernanda Lima e Rodrigo Hilbert na apresentação do sorteio de chaves para a Copa do Mundo de 2014.

Vamos traduzir isso para quem ainda está em dependência na aula de Pintura no Miolo de Pão desde o jardim de infância: uma entidade privada resolveu preterir um casal em função de outro em um sorteio privado do qual é a organizadora.

Saem Camila Pitanga, garota propaganda da Caixa Econômica Federal, uma morena com jeito de índia, ainda que filha de pai preto (Antônio Pitanga, marido de Benedita da Silva, ambos do PT) e Lázaro Ramos, baiano e preto (desculpem, esse papo de "negro" comigo não cola, cor não é ofensa), dois artistas de sucesso e talento.

Entram Fernanda Lima e Rodrigo Hilbert, um belo casal de sulistas, brancos, loiros, têm uma linda família e carreiras artísticas de igual sucesso.

Só que no Brasil nada é tão simples assim.

Logo que os racialistas, parasitas de ONGs e movimentos sociais, politicamente corretos e histéricos de plantão viram a notícia, todos berraram (eles nunca falam, só berram) em uníssono: RACISMO!

Fernanda Lima chegou a indagar "Só porque eu sou branquinha? Ora, eu pago meus impostos, tenho direito de trabalhar", ao que foi respondida com mais berros (sempre berros) de "Coxinha! Está sendo racista dizendo que é branquinha!". Sim, ela deveria dizer que é "mulatinha", mesmo não sendo, para não ofender as susceptibilidades alheias.

A história em si já é ridícula por si só, quer dizer que brancos agora não podem mais representar o Brasil sem um componente "étnico" no meio?

Rebaixem então a "não dignos de representar o Brasil" pessoas como Ayrton Senna, Zico, Zagalo, Maurren Maggi, Gustavo Borges, Gustavo Kuerten, Oscar Schmidt, Cesar Cielo, Bernardinho, Carlos Alberto Parreira, Santos Dumont, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Fernanda Montenegro, entre outros tantos.

Mas tudo conseguiu ficar ainda pior com a entrada, veja você, do Ministério Público em campo. Um promotor certamente entediado pelo fato do Brasil ter expurgado a corrupção, o crime organizado e demais mazelas da nossa sociedade resolveu que este era um assunto relevante para que gastasse nele o horário de expediente pago pelo contribuinte.

Foi aberto um procedimento visando “a apuração de eventual crime de racismo tendo em vista que os atores representam de maneira mais adequada a composição étnica e racial do povo do Brasil, ao passo que os atores escolhidos, Fernanda Lima e Rodrigo Hilbert, de raça branca/caucasiana, sob tal aspecto, não. A escolha dos apresentadores, portanto, dada a elevadíssima audiência aguardada, é relevante para a identificação dos componentes do povo brasileiro, por habitantes de todo o mundo. Relevante também a escolha em razão da autoafirmação dos brasileiros afrodescendentes".

É isso mesmo que você leu. Nas palavras deste funcionário público um pagador de impostos branco não "representa de maneira mais adequada a composição étnica e racial do povo do Brasil". Mas serve para ajudar a pagar o seu salário.

Creio que esse tipo de absurdo não merece nem mesmo a credibilidade que uma contra-argumentação forneceria, mas a situação está ficando tão surreal que uma artista branca precisa ouvir de um empregado do contribuinte que ela, sendo brasileira, não está apta a representar o país por conta da cor da sua pele, que é branca.

Quem é o racista aqui?

Nada contra Camila Pitanga e Lázaro Ramos, que representariam o Brasil tão bem quanto um casal de origem asiática, indígena ou russa, já que a imigração aqui é bem diversificada, mas quer dizer que tudo o que é feito no país agora tem que ter aquela estética de "Ó Pai Ó", "skindô, skindô", senão é racismo?

Vamos criar cotas raciais até para apresentador de sorteio da FIFA?

Era só o que faltava.




Adicionado em maio de 2014:

Este post foi sucesso absoluto no Facebook, obrigado a todos!



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