sábado, 14 de dezembro de 2013

Não sakamoteie

Pensem comigo: roupa, de maneira alguma, justifica estupro. O estupro é sempre, repito, sempre culpa do estuprador.

Mas vamos adiante.

A menos que você seja discípulo do Sakamoto e acredite em "crime de ostentação", desses que praticamente pedem um assalto, você há de concordar que a culpa de um roubo é sempre do ladrão e de mais ninguém. 

Esclarecido isso, existem situações evitáveis e outras não, existem formas de se precaver, por exemplo, não andar pela Central do Brasil ou pela Praça da Sé com um smartphone na mão, "de bobeira" como dizem por aí, contribui muito para que não o arranquem da sua mão e você chegue em casa com ele.

Claro que a culpa continuaria não sendo sua caso ocorresse, mas você facilitou, ainda que não tenha pedido.

Num mundo ideal nós andaríamos pelas ruas usando nosso próprio peso em ouro e nada demais aconteceria, mas num mundo ideal eu já teria ganhado na Mega Sena e ninguém jamais ficaria doente de nada.

Daí que é muito justo que feministas queiram o seu direito de andar até peladas por aí sem ouvir nem um "fiu-fiu" (supondo-se que a moça em questão merecesse um "fiu-fiu"), mas adivinha, a realidade não é assim.

Claro que de uma cantada para um estupro existe a mesma distância que separa uma feminazi de uma mulher bem resolvida, mas se você anda por aí com a "polpinha da bunda" de fora, provavelmente voltará para casa chateada se não ouvir nem um mísero "gatinha".

Mas voltando ao estupro (o real e não aquele que habita a cabeça de neuróticas praticantes de sexo movido a pilhas alcalinas), não se argumenta com bandidos.

Assim como não se argumenta com ladrões ("cara, para de roubar dos outros, isso é fruto do capitalismo e sua cultura da espoliação do trabalho alheio"), não dá para argumentar "na boa" com um estuprador ("sociedade machista, cultura do estupro"), porque bandidos simplesmente não ligam.

Você não pode querer entrar de costas nu em um presídio durante um apagão e achar que vão perguntar qual é a sua sonata favorita, o mais próximo disso que você chegará é daquela piada grosseira envolvendo o violino e a vara.

Da mesma forma, não é culpa da mulher quando leva uma cantada exagerada, uma curra ou sofre um estupro, mas dá para tomar medidas que ajudem a prevenir tais coisas.

Ninguém precisou abrir mão dos seus smartphones porque ladrões os roubam nas ruas e nenhuma mulher precisará sair por aí de burca para ser devidamente respeitada, basta usar o bom senso.

A culpa não é dela, mas não é por isso que, em nome de bandeiras imbecis do marxismo cultural, ela vai sair por aí com um smartphone na mão ou com a bunda de fora.
0 Comentários