segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Dane-se o bastão - Publicado originalmente em 19 de agosto de 2013

Sabe aquela piada que fala de alguém que é "cantor de churrascaria", porque "canta para os outros comerem"? É o Brasil nessa Olimpíada de 2016.

O pobre sujeito tungado todo mês em impostos e cinicamente chamado de "contribuinte" vai pagar o salão de festas, o churrasqueiro, a picanha, a cerveja, tudo ainda por cima superfaturado, e no final vai assistir a farra dos convidados, rezando para sobrar uma asa de frango como consolação.

Sempre achei uma vergonha que um país com 200 milhões de habitantes, e com tanto dinheiro a ponto de sustentar mensaleiros e aloprados aos borbotões, não tenha capacidade nem de disputar posições no quadro de medalhas com países menores e/ou muito mais pobres como Hungria, Cazaquistão, Jamaica e Irã.

É dinheiro demais gasto com resultado de menos.

Mas a situação piora quando resolvemos fazer um baile sem saber dançar e assim vamos gastando o que não temos em estádios, arenas, velódromos, canchas, pistas e o escambau, só para exibirmos aquele fair play do bom perdedor (mentira, é mau perdedor, no Pan-Americano de 2007 a brasileirada vaiava até o hino alheio).

E esse Mundial de Atletismo é só mais uma prova disso. Foram disputadas não sei quantas modalidades e o Brasil não conseguiu uma mísera medalha sequer. Não interessa se a equipe de revezamento deixou cair o bastão, porque o esporte no país, desde o Ministério até as Confederações, deixa o bastão cair o tempo todo, há muito mais tempo.

Isso porque estádios, arenas, velódromos, canchas, pistas e o escambau, tudo isso se compra. Aliás, não só se compra como ainda dá pra pedir os 20% do faz-me-rir.

Planejamento não dá para comprar só com dinheiro, é preciso treinamento, seriedade, estratégia, visão de país e isso no Brasil é coisa rara, senão inexistente.

Governo após governo não temos projetos a longo prazo, não existe revezamento de tarefas, passagens harmônicas de bastão.

Aqui é dane-se o bastão, vamos para a próxima eleição.

Dá no que dá.




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