sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Mercado 10 x 0 Estado - Publicado originalmente em 8 de agosto de 2013

Estava saindo do trabalho quando me deparei com esse cartaz colado num poste. Nele um consultor (que disponibiliza números de telefone de 5 operadoras diferentes, algo impossível antes da concorrência no setor) oferece o serviço de máquinas de cartão de crédito para ambulantes, cabeleireiros, pequenos comerciantes, sacoleiros.

Ele não escreveu no cartaz, mas podemos facilmente acrescentar à lista manicures, mecânicos, diaristas, taxistas, enfim, uma variedade imensa e praticamente inesgotável de ocupações que poderão aumentar sua clientela aceitando o dinheiro de plástico capitalista.

Foi impossível não lembrar que há uns 10 anos eu trabalhava como dentista e precisei passar por um processo enjoado para oferecer cartões de crédito para meus clientes e utilizar máquinas manuais, bem diferentes destas eletrônicas de hoje.

Era uma velharia que me obrigava a caçar inadimplentes num catálogo impresso que era renovado todo mês e ainda ligar para a administradora do cartão para pegar a autorização pelo telefone.

E pagava caro por isso. Se quisesse uma dessas máquinas de hoje, que existiam num tamanho um pouco maior, pagava ainda mais, o que inviabilizava seu uso por pequenos estabelecimentos.

Foi quando em 2010 o Banco Central, atendendo a uma reivindicação dos lojistas, encerrou com a chamada exclusividade das máquinas, permitindo que o mesmo dispositivo pudesse aceitar todas as bandeiras (Visa, Mastercard, American Express, etc.).

Assim o lojista economizaria (o aluguel de cada máquina girava em torno de R$ 120,00 na época) e a concorrência poderia diminuir as distorções que aquela verdadeira escravidão impunha aos prestadores de serviço, barateando preços e ampliando a base de clientes.

No final das contas, essa redução de custos e a facilidade em aceitar cartões de crédito atingiu o consumidor final, que passou a pagar menos, comprar mais, e a utilizar os cartões com mais frequência, possibilitando uma ampliação do número de transações da ordem de 20% somente em 2010, ano da adoção da medida.

Fora isso tudo, o mercado de cartões que estava 90% concentrado nas mãos da Visa (Cielo) e Redecard (Mastercard), pode assistir a entrada de novas marcas, estimuladas pela liberação dos contratos de exclusividade.

Mas nenhum desses números frios serviria de nada se não tivessem possibilitado que um cartaz como esse fosse visto afixado num poste.

Onde antes somente alguns podiam se aventurar, hoje todos podem, basta querer.

Negócios são alavancados, profissionais podem oferecer facilidades para seus clientes, o dinheiro circula, todos ganham.

Sem burocracia, sem entraves, sem regulações que engessam a criatividade.

E isso, meus amigos, jamais seria possível num ambiente regulado e atravancado por regras, que só favorecem quem não deseja investir.

Antes de 2010, o sistema de cartões estava na Era da Mediocridade, da regulação, enfim, vivia o sonho de quase todo "progressista" que sonha em planificar e controlar tudo.

Depois de 2010, a economia de mercado tomou o lugar e o que vemos é isso aí: você podendo comprar pipocas na carrocinha com o seu cartão de crédito.

Até um pseudo-comunista estatizante agora pode ir numa padaria e comprar sua Coca-Cola com um MarxCard. Quer coisa melhor?




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