quinta-feira, 22 de agosto de 2013

No Irã não tem graça - Publicado originalmente em 22 de agosto de 2013

Hoje me perguntaram o que eu acho sobre a polêmica do vídeo do grupo "Porta dos Fundos", onde durante uma consulta ginecológica uma atriz encontra a imagem de Jesus na vagina.

Primeiro tenho que confessar que não assisti o vídeo. 

Simplesmente porque uma esquete de humor com uma atriz encontrando a imagem de Jesus na vagina durante uma consulta ginecológica não é minha idéia de diversão e, independente do que eles possam ter feito de engraçadinho no tal vídeo, não conseguiriam reverter a realidade de que eu não acho graça em quem faz brincadeiras de mau gosto com a religião dos outros.

Ultrapassado esse passo, não sei porque a surpresa com a polêmica. Desde que o mundo é mundo existem attention whores.

Com mais ou menos talento (e até nenhum), desde os bobos das cortes reais até os atuais BBBs (versões televisivas destes), sempre houve gente vivendo da curiosidade e do riso que provoca nos outros. O Porta dos Fundos não é original nesse sentido.

Também poderia falar aqui sobre a fama que um de seus idealizadores, o "KibeLoco", tem de copiar piadas dos outros na internet como forma de explicitar ainda mais a pouca originalidade do grupo, mas nem preciso.

Qualquer um com mais de 20 anos vai se lembrar do início do Pânico, alguém com mais de 30 certamente vai se lembrar do TV Pirata e do Casseta & Planeta, gente com mais de 40 vai recordar dos Trapalhões e os com mais de 50 do Balança Mas Não Cai, entre outros. Fora o atemporal A Praça é Nossa.

Todos grupos de humoristas que arrancavam gargalhadas dos outros com quadros satirizando o cotidiano e exacerbando esquisitices que a raça humana cultiva desde sempre.

Nesse sentido as únicas diferenças do Porta dos Fundos para todo o resto é o veículo, que é a internet e também a grosseria de que lançam mão, retrato da época medíocre em que vivemos, onde os limites estão condicionados somente ao que o politicamente correto gosta ou não.

Falar de negros não pode. De gays não pode. Descer o malho no cristianismo não só pode como rende aplausos e audiência, seja na TV ou em acesso a um canal do YouTube. Resumindo: publicidade grátis.

Mas antes que me entendam errado, saibam que eu sou contra os que desejam censurar o grupo. Deixar de assistir é a melhor saída, é o único controle de conteúdo que deve haver.

Vivemos num país livre e qualquer um tem o direito de fazer piada com o que bem entender. Quisera eu que isso não tivesse limites mesmo, que todos, sem exceção, fossem motivo de chacota e o autor da piada merecesse a mesma leniência que merecem pessoas que quebram imagens de santos ou brincam de encontrar Jesus na vagina de uma atriz/cantora/humorista que é o protótipo perfeito do que sairia do cruzamento do Marcelo Camelo com a Mallu Magalhães.

Fazer piada com cristianismo é mole. Zuar a Coca-Cola (aquele quadro foi bom, confesso) é tranquilo. Quero ver é fazer um vídeo com Maomé, um travesti, um camelo e depois ir passear no Irã.




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