quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Os sem partido - Publicado originalmente em 22 de agosto de 2013

Ontem falei sobre ser ou não reacionário. E no reboque dessa discussão, sempre aparece aquela outra: afinal, onde está a tal "direita" que petistas et caterva tanto falam?

O fato é: não existe partido de direita no Brasil.

Essa briga direita x esquerda, velha e interminável disputa, nos é negada pelos próprios partidos do país. Para se ter uma idéia, em uma pesquisa realizada no Congresso Nacional, até o deputado Jair Bolsonaro se declarava de "centro-esquerda".

Dificilmente algum político no país foge da defesa da estatização de setores da economia e da noção de que é necessário que o Estado "controle" coisas. O que difere é somente o objeto do controle.

Mas vamos prosseguir.

Historicamente esses termos surgiram durante a Revolução Francesa. O chamado "Terceiro Estado", alta e média burguesia e setores mais "populares", sentava-se à esquerda do rei, enquanto os aristocratas e o clero sentavam-se à direita.

Somente após a revolução e a queda da monarquia é que essa divisão passou a ser usada para separar girondinos (a burguesia, temerosa de uma radicalização da revolução) e jacobinos (que desejavam esse aprofundamento revolucionário).

Talvez essa filigrana histórica sirva para explicar o porque da minha opinião sobre não existir partidos de direita no Brasil. No final das contas são todos esquerdistas que temem quase como um xingamento a palavra "direita". Fazendo o papel da derrotada "monarquia" francesa, podemos perfeitamente encaixar a ditadura militar, aquele indesejável e longo período de estagnação política e intelectual.

Carlos Lacerda talvez tenha sido o último grande político a representar a tal "direita" na forma como vemos em vários países europeus e nos EUA.

Após a queda da ditadura e a ascensão da "Nova República", todo mundo no Brasil virou "de esquerda" ou como eles adoram dizer "progressistas". Não temos em nosso amplo leque partidário nada parecido com a divisão Democratas x Republicanos, Trabalhistas x Conservadores, Democratas-Cristãos x Sociais-Democratas.

Isso é estimulado pela postura de nossa mídia, que se arvora em satanizar qualquer proposta política que ouse chegar sequer nas cercanias do outro lado do corredor. Ninguém quer ser associado ao que é quase um palavrão, uma ofensa, "direitista!".

E devido a esta excrescência, o que sobra como "direita" no Brasil são políticos corruptos que abraçam um falso conservadorismo, com viés mais de "moral e bons costumes" e religioso ou então o "rouba mas faz".

Nada que chegue perto do que realmente representa a direita mundo afora, que é a defesa do estado não mínimo, mas concessor e fiscalizador, das liberdades individuais, do mérito, de um governo voltado para o cidadão médio e não para essa "sindicatocracia" da qual a esquerda se utiliza para criar novas elites e aparelhar o poder público.

A eleição presidencial de 2010 é outra prova disso. Tivemos três representantes da esquerda concorrendo à presidência e ainda que os estafetas do petismo quisessem imputar a um dos candidatos a pecha de “direitista”, a verdade é que não existia nada perto disso naquela época e muito menos no cenário atual.

Em 2010 tivemos três representantes da esquerda concorrendo à presidência, diferindo entre si apenas em sua postura quanto às liberdades individuais, à alternância de poder e à condução responsável do estado e das políticas econômica, social e de infra-estrutura.

Por isso eu digo: não existe direita no Brasil.

Temos sim, 1/3 do eleitorado brasileiro, que erroneamente é considerado “anti-PT”, mas que na verdade é “anti-esquerda”. É uma parcela da população que paga seus impostos, leva sua vida longe das cúpulas palacianas e partidárias, que deseja apenas que o estado garanta sua segurança e não atrapalhe o sustento da sua família.

É uma parte considerável da nossa sociedade que vaga por aí, de eleição em eleição, à procura de quem mais se aproxime da postura que acredita ser melhor para sua cidade, seu estado e para o país.

Pessoas que desejam uma imprensa livre, um estado fiscalizador e responsável com seus gastos, a oportunidade como estímulo para o mérito, a transparência, a alternância de poder. Valores que estão muito além da divisão simples entre direita e esquerda.

Costumo dizer que são pessoas que não tem nenhuma ONG a seu lado lutando pelo direito delas e são mais conhecidos por outro nome que virou quase palavrão, a exemplo de “direita”, que é a “classe média”.

É um contingente razoável de pessoas que, qualquer dia desses, acaba fundando o MSP: Movimento dos Sem Partido.




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