domingo, 19 de janeiro de 2014

O rolezinho no Plaza

No dia 18 de janeiro, a balbúrdia (rolezinho) foi no Plaza Shopping, em Niterói, um shopping de rico que fica perto de um terminal de barcas e outro de ônibus que leva pessoas aos abastados municípios de São Gonçalo e Itaboraí, entre outros.

Com um restaurante de grife na porta, especializado em caríssima cozinha internacional, o Habib's, além de lojas para poucos escolhidos como C&A, Renner, Leader e Casas Bahia, o local é um templo da classe AAA, que se delicia com caríssimos repastos no Giraffa's e na Parmê, além dos finíssimos chocolates europeus da Cacau Show e da Chocolates Brasil.

Nesta meca do consumo de alto nível, local onde é possível abrir carnês para comprar um ventilador em 24 vezes com juros e comprar casquinhas de sorvete a dois reais, foi realizado um ato de protesto contra a segregação racial e social no Brasil.

Como é sabido por todos, pretos e pobres são impedidos por lei e pela força de seguranças de se misturar com aquele bando de ricos brancos de olhos azuis que frequentam o Plaza e outros shoppings do país, e assim ficam alijados de fazer parte do high society, não podendo, por exemplo, comprar uma sandália Ipanema ou uma camiseta da Taco.

Por esse motivo, uma turma resolveu fazer um "rolezinho" neste shopping, invadindo o local à força e botando para correr aquelas madames que estavam na fila da Vivenda do Camarão com seus poodles e também as que estavam sentadas nos bancos de plástico da praça de alimentação com seus gatos persas esperando o número da sua senha no Mister Pizza ser chamado.

Outra classe de brancos ricos que foi prejudicada pela justa revolta dos jovens foi a dos vendedores, gente que ganha em comissões quase o mesmo que um jogador de futebol ou um pagodeiro ganha por mês, tanto que filas imensas se formam toda vez que abre uma vaga em alguma loja, todos interessados em poder passar a andar de carro com motorista e em trabalhar de domingo a domingo com uma folga escalonada.

Os vendedores foram impedidos assim de lucrar com sua exploração do modo de produção, a mais valia, essa covarde apropriação do trabalho alheio feita pelos empresários capitalistas que trabalham na Aldeia dos Ventos, na Riachuelo e no Mc Donald's, por exemplo.

O "rapper" PH Lima, um dos líderes do movimento, declarou que "as lojas só estão fechadas e estamos sendo seguidos por todos esses seguranças porque somos negros e pobres. Se fosse o Eike Batista, a Fifa, ou playboyzinhos de olhos azuis, isso não estaria acontecendo. Essa é a maior prova de que existe sim racismo nesse país", discursou.

Afinal de contas, graças ao funk ostentação, as "camadas populares" do país descobriram que além de saúde, educação, moradia, bolsa, conta de luz, água, internet Wi-Fi, celular, eletrodomésticos e passagens de ônibus grátis, o Estado também deve oferecer o acesso ao consumo conspícuo como direito universal inalienável, como muito bem disse uma inteligentíssima moça que conheço (ela o fez em tom de ironia, mas o que uma burguesa que trabalha e paga as próprias contas sabe das coisas, a inteligência e a razão estão é do lado dos encostados).

Por coincidência, só por coincidência, PC Lima é ligado ao PSOL, mas quem vê a transformação de uma balbúrdia pura e simples em "luta de classes" pelos marxistas farofeiros do país só pode ser olavete doido que vê comunista embaixo da cama.

Como se sabe os "rolezinhos" não são prática nova. Loiros burgueses de olhos azuis, playboyzinhos e demais membros da elite já realizam a prática há muito tempo.

Vestidos com abadás da Hugo Boss ou Armani, Ferragamo ou Chanel, jovens abastados e coroas plastificadas fazem cortejos pelos corredores de vários centros comerciais, andando em bandos de dezenas e até centenas, entoando óperas italianas e dançando o minueto.

Só começaram a ver problema nisso depois que pretos e pobres quiseram fazer igual, correndo em hordas pelos corredores, cantando funks e pedindo sua inclusão naquela micareta consumista.

Realmente, onde estão os deputados, os juízes, as demais autoridades? Precisamos resgatar o sagrado direito constitucional que todo cidadão tem de andar por aí em manadas, caso contrário nem sei onde esse país pode parar.

Periga até quererem voltar com a escravidão.

Link da notícia: http://estadao.br.msn.com/ultimas-noticias/rolezinho-com-tom-político-reúne-50-pessoas-em-niterói



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