sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Ruim e caro para quem paga, ruim e pouco para quem recebe - Publicado originalmente em 23 de agosto de 2013

- Boa tarde (mas poderia ser bom dia ou boa noite), gostaria de saber sobre andamento do meu pedido número tal e tal.

- Um momento que estarei consultando, Senhor.

- Pois não.

- Senhor, o sistema informa que a entrega não será efetuada porque não temos o produto em estoque.

- Mas espera aí, quando eu comprei tinha, quando eu paguei tinha, vocês marcaram a entrega, como assim não tem? Vocês venderam o que não tinham ou venderam o que já era meu? Porque eu paguei por isso.

- Senhor, estaremos efetuando o seu reembolso no prazo de 20 dias úteis...blá, blá, blá.

O resto da conversa geralmente é composto por mais gerúndios, xingamentos e ameaças de processo. No fim, tudo fica na mesma, porque o Brasil é a terra dos péssimos serviços prestados.

Não basta ser caro, tem que ser ruim. Não basta ser ruim, tem que ser desleixado. Não basta ser caro, ruim e desleixado, é preciso estar repleto de espertezas, safadezas e molecagens também.

Este é o padrão. Ponto. Raríssimas são as exceções. Outro ponto.

Não existe um balcão, uma loja, um site, lanchonete e restaurante onde péssimos funcionários não estejam sempre prontos a prestar péssimos serviços aos clientes.

O Brasil é a lata de lixo do atendimento ao consumidor. Nossas empresas são ruins, os funcionários são ruins, o serviço é ruim.

A única forma que o consumidor parece dispor para obter uma resposta que não seja o mesmo amontoado de cretinices é constranger as empresas nas redes sociais.

Espinafre uma empresa no perfil do Facebook ou pelo Twitter que aquele genuíno padrão-entulho brasileiro por milagre vira uma IKEA da vida.

Tirando isso a realidade é mesmo pagar caro e se irritar quase o tempo todo.

Mas por quê? Já que cobram tão caro por tudo?

Simples: é a mania corporativa nacional de pagar pouco e exigir muito.

A mentalidade por aqui parece ser a seguinte: contrate um para fazer o serviço de dois e, se possível, pague o salário de meio.

E quem tem medo de perder um emprego bosta? Um sujeito que recebe mal, tem uma folga semanal escalonada, faz hora-extra sem receber e ainda é tratado que nem um cão pela empresa sabe que emprego igual aquele tem sobrando por aí.

Qual a necessidade que ele tem, então, de atender bem os outros? Ainda mais sabendo que aquela história do cara que começa como entregador e termina sendo presidente da empresa está cada vez mais nas fábulas de um passado distante.

Daí o problema do país: criou-se empregos, mas péssimos empregos.

Uma garçonete que serve pizzas nos Estados Unidos vai ter seu carro, sua casa, bens de consumo. Se for uma preguiçosa vai passar a vida como garçonete, mas consumindo o mínimo que qualquer pessoa que trabalha consome.

Se for interessada, fizer cursos, se dedicar, pode terminar em pouco tempo possuindo a sua própria pizzaria.

No Brasil o trabalhador SABE que vai terminar servindo pizzas na mesa o resto da vida e seus filhos só não vão servir pizza também se derem sorte, o que não é comum.

Por isso a necessidade de uma menor intervenção Estatal na economia. Menos protecionismo, menos regulação do mercado de trabalho, menos impostos engessando a capacidade de concorrência.

Não dá para construir um país decente pagando péssimos salários para quem presta péssimos serviços cobrando do consumidor valores de luxo, pelo lixo.




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