sexta-feira, 7 de março de 2014

Só não espiona quem não tem competência

Governos sempre espionaram outros governos, isto é um fato. Informação é poder e capacidade de planejamento, não é a toa que o setor é chamado de "inteligência".

Um governo só não espiona os outros quando não tem capacidade para tal, daí passa a se apresentar como ético, honesto, de natureza pacífica que jamais faria isso.

Bollocks.

Se pudesse, faria. E mesmo que não confesse, tenta.

O choque em relação às denúncias de Edward Snowden não se deu porque ele dedurou a espionagem do governo americano sobre outros governos, mas sim porque, avançando na audácia habitual, foi descoberto que o governo espionava também os seus próprios cidadãos.

Não que isso também nunca tenha acontecido. Governos fazem isso, mas ninguém gosta de saber que é xeretado na sua intimidade por arapongas. Nos Estados Unidos então isso é escandaloso, ainda que esperado.

Logo, não pense que o dedo-duro ficou famoso porque denunciou espionagens contra o Irã, a Bolívia, a Venezuela ou o Brasil, mas porque denunciou que um governo espionava quem paga o seu salário, que é o pagador de impostos.

Por isso essa reação de Dilma Rousseff, dos puxas-saco do PT e dos demais patriotas de ocasião é tão infantil quanto descabida. Presidentes serão "monitorados", governos serão "observados" sempre, a diferença é se isso será descoberto um dia ou não.

E de mais a mais, para um partido que já foi acusado de grampear telefones, violar sigilos até de um caseiro e usar seus dossiês verdadeiros - porém, note-se, ilegais - e até fajutos para destruir adversários, simular essa indignação de donzela que levou uma apalpada no trem é simplesmente ridículo.



0 Comentários