segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Telex Free - Publicado originalmente em 5 de agosto de 2013

Sempre achei que o brasileiro saía pouco às ruas.

Culpava Brasília, aquele feudo concretado estrategicamente construído a milhares de quilômetros de quem paga pela festa. 

E ainda culpo, mas não é só isso. Nosso povo ora parece querer tudo, ora parece não saber o que quer e sempre, repito, sempre, não sabe o que fazer para conseguir nada disso.

Vivemos num país que sofre de um grande mal: a corrupção.

Só que "contra a corrupção" até os corruptos são, qual é a proposta ou exigência prática que vem de tudo isso?

Simples: um Estado menor e que seja mais efetivo.

Como? Parando de entregar o país para marxistas farofeiros estado-dependentes assumidos ou disfarçados. Simples.

Mas finalmente, a despeito de tudo e meio sem foco, o monstro saiu às ruas e a classe política levou um freio de arrumação. Tudo bem que nada, novamente repito, nada, surtiu grande efeito, além da aprovação (ou rejeição) de excrescências que seriam aprovadas ou rejeitadas (dependendo do interesse do país, o desfecho seria o oposto) com uma gargalhada na cara do contribuinte.

Cortaram modestos pedaços da farta gordura que acumularam durante as décadas de sono do "gigante".

Fora isso o que apareceu foram propostas desastradas do governo petista para dar um "cala a boca" no monstro.

Uma Constituinte exclusiva veio e foi embora levando um plebiscito confuso na mala. Agora foi a vez dos dois anos a mais para o curso de medicina serem defenestrados, e daqui a pouco o tal "Mais Médicos" sobe no telhado.

Mas ao que parece o povo pegou o gosto pela rua. E esse é o perigo.

Não falo de revoluções ou convulsões sociais, mas da banalização dos protestos. Tudo aqui vira bordão de novela, repetido à exaustão até perder o efeito.

Com isso vemos uma passeata a favor do suposto esquema de pirâmide da TelexFREE. Qualquer dia serão os donos de chinchilas pedindo a importação de alguma ração especial a preço de custo.

Mais adiante veremos estudantes de universidades federais pedindo zonas livres para consumo de maconha (não, espera, isso já tem) e não vai demorar muito até as famílias dos políticos também saírem às ruas, reclamando da perda das mordomias como viagens gratuitas em aviões da FAB e o uso de helicópteros para transportar o cachorrinho da família.

Como sempre, queremos tudo, não queremos nada e não sabemos como conseguir.

E assim vamos pra rua, meio que em festa, uma festa raivosa, é verdade, mas festa, até que uma dessas passeatas se encontre com um bloco do próximo carnaval, que é pra esperança de alguma mudança real se acabar de uma vez na quarta-feira de cinzas.




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