quarta-feira, 5 de março de 2014

Teria sido melhor perder essa

Sobre o fim do voto secreto no Congresso, é preciso que se esclareça que num primeiro momento tudo parece lindo, afinal, os larápios instalados naquela viveiro de espécimes deprimentes não mais teriam a proteção do anonimato para livrar as caras uns dos outros.

Mas se você pensar bem isso é uma temeridade, um grave erro e mais uma etapa do solapamento das instituições democráticas.

Explico.

Amanhã um governante extremamente popular, mas com verniz autoritário, como um Evo Morales ou Hugo Chávez, por exemplo, reúne um imenso contingente de cidadãos o apoiando.

Isso não é difícil, a miséria desse continente faz com que esses bolsões de pobreza sejam reservatórios de votos à espera de um malandro que se aproprie deles através de medidas populistas (alguma semelhança com um país que para quatro dias por ano para comemorar sabe-se lá o que no carnaval?).

Pois bem, esse sujeito, extremamente popular mas também um proto-ditador, resolve que vai demitir juízes da Suprema Corte porque estes estão atrapalhando o seu "trabalho".

Chama uma votação no Congresso, coloca um milhão de cabeças na porta do mesmo e dá-se a votação aberta.

Quantos parlamentares você acha que iriam ter peito de fazer a coisa certa (defender a separação de poderes e os freios e contrapesos que uma democracia PRECISA ter) e votar contra a vontade da chusma?

Não demoraria e o Congresso votaria até o próprio fechamento e a entronização do vagabundo como rei, tudo pelo "bem do país e atendendo aos anseios populares".

O problema não é o sistema representativo, o Congresso, mas ESSE Congresso que temos, essa (falta de) qualidade de gente que os próprios eleitores mandam para lá de quatro em quatro anos.

Em nome de caçar na marra meia dúzia de pilantras que nem deveriam ter mandato para começo de conversa (se os mesmos que berram pelo fim do voto secreto VOTASSEM DIREITO), acham bonito dilapidar as instituições dessa forma.

Comemoram uma derrota da democracia como se fosse vitória.

É isso.



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