terça-feira, 18 de março de 2014

Vivandeiras, aprendam a lição com o Corvo

O Morgenstern lembrou muito bem que a Marcha da Família com Deus pela Liberdade original não pedia uma ditadura ou regime militar, mas pedia a retirada de Jango, um presidente caótico, do poder.

E só isso já faz a marcha original ser bem diferente dessa reedição de hoje, feita pela versão revolucionário Toddynho da direita, que ao invés de dar munição para a esquerda farofeira ficar por aí acusando todo não-marxista de vivandeira, deveria procurar esclarecer as pessoas, como muito bem lembrou de novo o Morgenstern, que Jango não era um presidente popularíssimo que foi derrubado por gorilas da ditadura como ensinam os professores comunas do Ensino Médio, mas que o país estava dividido e uma verdadeira multidão clamou pela sua saída.

O que houve depois não estava nos planos e nem nos desejos da maioria daquela multidão e posso falar muito bem pois venho de família lacerdista, que detestava o Jango e detestou igualmente o endurecimento do regime militar que veio depois.

Carlos Lacerda, aliás, é um bom exemplo para quem não gosta de ler e nem de pensar sobre o que ocorreu naquele tempo se informar melhor sobre como NINGUÉM queria uma DITADURA.

Uma rápida pesquisa na Wikipédia vai mostrar que o então governador da Guanabara, apelidado de "corvo", apoiou a tomada de poder pelos militares, era considerado um candidato fortíssimo à presidência na eleição de 1965, mas foi traído, cassado e morreu longe da política.

O estado que tanto amou e governou foi EXTINTO por DECRETO pelos militares, que o juntaram à força ao Rio de Janeiro, numa decisão traumática que trouxe resultados nefastos que duram até hoje.

Por isso antes de sair por aí com uma bandeira nas costas dizendo que o gigante acordou e berrando "intervenção militar já!", cumpre responder essa perguntinha bem simples: você gostaria de passar pelo que o Lacerda passou?

Coloquem a cabeça para pensar, ora porra (olaviando agora), é pra isso que ela serve.



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