quinta-feira, 17 de abril de 2014

O preço da liberdade

A liberdade nunca é tomada de uma vez, é sempre um processo imperceptível, paulatino, fatiado.

Divide-se as pessoas, faz-se com que odeiem umas às outras e assim vai-se suprimindo sempre a liberdade do outro, sob aplausos do seu inimigo fabricado. 

Ricos x pobres, pretos x brancos, gays x héteros, norte x sul, empresários x empregados e por aí vai.

Na Venezuela o chavismo contou com a prestimosa colaboração de uma oposição que demorou a acordar. Primeiro perderam-se em intermináveis brigas internas, depois cometeram o erro fatal de deixar de disputar uma eleição para o congresso, na esperança de deslegitimar o pleito.

Tiranetes e picaretas não se preocupam com legitimidade, por isso o chavismo usou seu rolo compressor para mudar a estrutura legal do pais, manietar a imprensa, sufocar a dissidência e levar o país à situação em que se encontra hoje, quando uma oposição acuada tenta o que pode para recuperar o terreno e a liberdade perdidos.

Essa semana uma nota no blog do Lauro Jardim passou despercebida, espantosamente despercebida por muitos. Nela dizia que a oposição iria esperar uma semana para interpor um recurso no STF, porque se o fizesse na semana corrente cairia no plantão de Ricardo Lewandowski e o resultado certamente seria favorável ao PT.

Tal fato é alarmante, porque se trata de um magistrado da mais alta corte do país que está de tal forma desmoralizado pelo alinhamento sistemático ao partido que o indicou, que não se confia mais na independência de suas decisões.

Isto é a democracia e suas garantias ameaçadas gravemente pelo aparelhamento do Estado em todas as suaa instâncias. Isto, amigos, é a liberdade escoando pelo ralo.

Junte a este fato deputados de partidos de esquerda recorrendo a aparelhos de Estado e verbas estatais para chantagear veículos de comunicação e calar jornalistas, milícias pagas para agredir opositores na internet e nas ruas, movimentos sociais cooptados, sindicatos comprados, um congresso que se aluga por tostões, estatais loteadas e você tem a receita para o totalitarismo.

Hoje o que as pessoas devem se perguntar é quanto vale sua liberdade, o quanto você discorda do outro a ponto de abrir mão do seu direito para vê-lo perder o dele.

O Brasil ainda não passou do ponto sem retorno, ainda não chegamos na situação da Venezuela, mas esta não demora tanto.

Acordem.
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