quinta-feira, 24 de abril de 2014

O Rio de Janeiro é um programa da Regina Casé piorado

Essa semana as ruas de Copacabana foram transformadas num cruzamento do Esquenta da Regina Casé com Mad Max. 

Por conta da morte de um bailarino do programa zooantropológico da TV Globo moradores de uma invasão também conhecida como "comunidade" do Pavão-Pavãozinho desceram para o asfalto e protestaram contra a violência queimando ônibus, depredando lojas e aterrorizando o bairro.

Que fique bem claro, ninguém merece ser morto só porque mantém amizade e demonstra admiração por traficantes de drogas, mas convém abusar da canja de galinha e da precaução quando formos analisar quando isso acontece.

O Rio de Janeiro, caótico, sujo, favelizado é a prova maior de como a permissividade do poder público com a desordem e como a relativização de valores promovida pela esquerda podem fazer mal a uma cidade.

Em troca de votos permitiu-se que a capital fluminense virasse um imenso favelão. A esquerdopatia dominante martelou através de décadas a noção de que o bom e o belo se encontra no barraco, na viela, na vala negra, no bandido romântico, na "bagunça organizada".

Favela é lindo, remoções são um horror, funk proibidão é cultura, churrasco na lage é pitoresco, o Rio é da "malandragem".

Daí que artistas e jogadores de futebol volta e meia são pegos em relações não ortodoxas com bandidos de favelas, como o jogador Adriano e o pagodeiro Belo.

Daí que um dancarino de um programa da TV aberta demonstrar numa rede social tristeza pela morte de um bandido, avisando que "o bico vai fazer barulho", ou seja, que vão dar tiros de fuzil, não causa espanto em mais ninguém.

Confesso que se o colunista Felipe Moura Brasil, o campeoníssimo e já incontornável Pim, não tivesse noticiado isso, nem eu mesmo saberia, já que o resto da imprensa não deu a mínima.

O discurso, como sempre, foi o de difamação da polícia (que já faz um bom trabalho se auto-difamando) e de, para usar um termo que a esquerda adora, naturalização da baderna como forma de protesto.

"É a revolta do preto e pobre contra a opressão do Estado", repete o papagaio esquerdopata em mais um round da luta de "cRasses" com dendê, o mesmo papagaio esquerdopata que passa o resto do dia pedindo mais Estado em tudo, como se a negligência da polícia, muitas vezes motivada pela pronta disposição de acusar todas as suas ações como "abusos", não fosse também uma opressão contra a totalidade da sociedade, que não pode nem pegar um marginalzinho e amarrar no poste, já que nenhuma autoridade faz nada, que já é acusado de ser um fascista que faz justiça com as próprias mãos.

Por conta disso tudo ficamos presos num dilema praticamente sem solução. Não tem como ficar indiferente à morte desse rapaz, ninguém merece isso. Mas não tem como ficar indiferente à indiferença com que tantos tratam a morte de PMs das UPPs por traficantes, quase como se a maioria da sociedade transformada em zumbi pelo "progressismo" achasse que é "merecido" ou pelo menos "esperado", afinal, são os PMs que estão ali "ocupando" ao invés de "ações sociais". Morreu um PM? Ótimo, mais um argumento em favor da "desmilitarização".

E o dilema é porque nós, que não ficamos indiferentes com ninguém sendo feito de vítima, seja um PM ou um dançarino do Esquenta, sabemos que ambos são vítimas da permissividade do Estado com a desordem, com o crime, vítimas da relativização de valores, da perversão de conceitos e que a solução para isso é tornada quase impossível pelas mesmas pessoas que chamam a nós de fascistas, violentos, insensíveis.

Eles perpetuam os problemas com as suas falsas soluções, com seus conceitos furados que vêm dando errado na prática há décadas, mas nós é que somos culpados.

Como muito bem já disseram por aí, a culpa é toda da esquerda, ela coloca em quem bem entender.

P.S.: o "zooantropológico" lá em cima que pode chocar alguém é porque considero que tal programa, de péssimo gosto, trata o "pobre" e o "popular" como se fossem peças de exposição para a esquerda caviar se deleitar e aliviar sua culpa eterna, nada mais preconceituoso do que isso, diga-se de passagem.




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