terça-feira, 6 de maio de 2014

Agora aguenta, malandragem

Deu num site de notícias.

Militante do movimento negro em Porto Alegre, o estudante de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Thales Machado, 20 anos, denunciou um funcionário da boate Beco203 à polícia por racismo. A confusão aconteceu na noite do último sábado, dia 3. O jovem diz ter sido chamado de "negrinho racistinha" quando entrava no local com um grupo de amigos para comemorar o aniversário de um deles:

- Na hora de fazer o cadastro no caixa, um amigo esbarrou em mim e eu disse "qual é, branquelo?", como sempre faço. O caixa falou "aqui tu não entra, aqui não entra racista". Eu questionei e ele falou "tu é um negrinho racistinha".

Na continuação a notícia relata que os amigos do rapaz chamado de racista ficaram na porta da boate indignados, o que gerou reação das pessoas que estavam na fila e, diante do constrangimento, a casa noturna liberou a entrada deles:

- Na hora que voltamos, o caixa, uma segurança e outra mulher me chamaram de racista, disseram que eu deveria estudar história para saber de casos de racismo de negros contra brancos, e eu só ignorei. Depois, lá dentro, chorei muito. Um segurança me pediu desculpas e me apoiou. Alguns colegas ficaram chocados e foram embora. O constrangimento foi coletivo.

Houve queixa na polícia, o habitual chororô coitadista e vida que segue.

Fim da notícia real. Agora vamos para a imaginária.

Suponha o mesmo relato, só que assim:

- Na hora de fazer o cadastro no caixa, um amigo esbarrou em mim e eu disse "qual é, crioulinho?", como sempre faço. O caixa falou "aqui tu não entra, aqui não entra racista". Eu questionei e ele falou "tu é um branquelo racistinha".

Será que a sequência seria igual ou o sujeito que chamou o outro de "crioulinho" seria expulso, vaiado, levaria lições de moral - "não importa que é seu amigo, você está reproduzindo uma conduta opressora e ofendeu o caixa" - se bobear ainda tomaria uns cascudos para aprender e se daria por satisfeito de não sair dali com um processo?

O fato é: ou referir-se à cor do outro de forma "politicamente incorreta" é ofensivo, seja qual cor for, ou não é, o que obrigatoriamente levará todo mundo a aceitar ser chamado tanto de "branquelo" quanto de "negrinho".

O que o rapaz "militante do movimento negro" estranhou foi ter sido medido pela mesma régua que o "movimento negro" usa para medir qualquer um que não siga a sua idéia de tolerância racial. Qualquer coisa, qualquer palavra mal colocada, já é motivo para saírem berrando "raciiiiiiiiiiiiiiiiiisssssssssmmmmoooooo!".

É um saco, eu sei, mas o militante deveria entender sua nova condição racialmente afirmada por tanto orgulho negro e afins e ver que agora também é um opressor.

Precisa deixar de ser egoísta e se colocar no lugar de tantas pessoas que perdem vagas por causa de cotas raciais, que são chamadas de "branquelas" sem que ninguém fique indignado, que são acusadas de fazer parte da "elite branca" mesmo sendo assalariadas e morando no mesmo bairro que os demais com as mesmas condições de vida e que nem mesmo têm o direito de se identificarem com um uacari, por exemplo, aquele macaco de cara rosa e cabelo branco, porque até se ofender ao ser chamado de símio virou monopólio dos "afro-descendentes".

Poxa, rapaz, pare de ser insensível e ignorar assim as "subjetividades alheias". Que coisa feia!

Link da notícia: http://zh.clicrbs.com.br/rs/porto-alegre/noticia/2014/05/jovem-diz-ter-sido-chamado-de-negrinho-racistinha-em-boate-4493148.html



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