domingo, 4 de maio de 2014

Depois de ler esse texto

Depois de ler esse texto eu também quero praticar violência armada contra os pretos.

Depois de ler esse texto eu também quero praticar violência armada contra os nordestinos.

Depois de ler esse texto eu também quero praticar violência armada contra os índios.

Depois de ler esse texto eu também quero praticar violência armada contra os militantes do MST.

Depois de ler esse texto eu também quero praticar violência armada contra os marginaizinhos que assaltam na rua e só são presos em postes.

Depois de ler esse texto eu também quero praticar violência armada contra os petistas.

Depois de ler esse texto eu também quero praticar violência armada contra os muçulmanos.

Depois de ler esse texto eu também quero praticar violência armada contra as feministas.

Depois de ler esse texto eu também quero praticar violência armada contra os maconheiros.

Depois de ler esse texto eu também quero praticar violência armada contra os gays.

Depois de ler esse texto eu também quero praticar violência armada contra os que recebem Bolsa Família.

Qualquer uma das absurdas afirmações acima provavelmente iriam parar nas manchetes dos portais, virariam hashtags nas redes sociais, fariam campanhas contra a intolerância, o racismo, a homofobia, o machismo, o elitismo, o escambau, o seu autor seria procurado pela Polícia Federal, indiciado pelo Ministério Público, demitido do seu emprego, achincalhado no seu bairro, teria que mudar de cidade, seria feito de exemplo, mereceria textos do Sakamoto, da Socialista Morena, da Lola, do Paulo Henrique Amorim, de mais outros "progressistas", haveria discursos na Câmara e no Senado e o assunto só seria esquecido dali a uns dois dias, quando surgisse o novo escândalo-que-mobiliza-a-gente-de-bem-contra-essa-sociedade-judaico-cristã-elitista-patriarcal-homofóbica-racista-que-deveria-voltar-pra-idade-média.

Mas como a frase dita foi "depois de ler esse texto eu também quero praticar violência armada contra os cristãos", provavelmente esta é a primeira e última vez que você vai ouvir falar dela.

Porque sou reaça, coxinha, fascista e não sei dimensionar bem as subjetividades do outro e a opressão histórica, por isso me recuso a entender e a aceitar que queiram cercear meus direitos, me xingar de tudo que é nome, me cobrar uma dívida histórica mais pesada do que rotativo do cartão e até praticar violência armada contra mim.

Olha que absurdo, como sou um cara reacionário.



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