quinta-feira, 15 de maio de 2014

O avesso do avesso

Proposta: um torneio mundial da roubalheira, onde corruptos não terminam uma obra sequer e roubam todo o dinheiro do orçamento. O objetivo é licitar obras sem terminar, superfaturar estádios que nunca sairão do papel, desviar recursos, corromper, prevaricar, subtrair numerário e não aplicar um centavo sequer em saúde, educação, segurança, transporte ou infra-estrutura.

O país campeão será aquele que conseguir roubar mais fazendo menos e o anfitrião terá que organizar o torneio mais caótico, acochambrado, cheio de puxadinhos e atrasos possível.

Qualquer sucesso, mesmo que seja tapar um buraco numa simples calçada será considerado um fracasso e o infrator perderá pontos. Telefonia, serviços, segurança pública, energia, saneamento e água potável precisam ser abaixo da crítica, mas o desejável é que sejam tão ruins que pareçam ausentes. Aeroportos em pleno funcionamento então, nem pensar.

Onde já houver algo pronto, os projetos devem se dedicar a destruir. Esburacar estradas, sucatear escolas e hospitais e transformar o entorno dos estádios que não existem em verdadeiros terrenos baldios. Favelização conta pontos extras.

Por essa lógica, como o governo brasileiro é totalmente inapto e incompetente para fazer o que se espera dele, veríamos como que por milagre obras sendo inauguradas totalmente prontas, antes do prazo e por metade do preço licitado.

Do nada surgiriam trens e metrôs novinhos em folha, confortáveis e atendendo a todos os bairros das grandes cidades. A polícia, bem paga por conta do aumento real de salário, teria níveis de cordialidade e eficiência comparados aos da Noruega, e americanos viriam se tratar em nossos hospitais públicos, atendidos por médicos cubanos que receberam asilo político por fugirem de uma ditadura abjeta e o direito de trabalhar após passarem com louvor no Revalida.

O cidadão tomaria um susto, pensaria que é alguma computação gráfica 3D que transformou aquelas estradas com crateras no asfalto e matagal no acostamento em verdadeiras Autobahns da noite para o dia. No Rio de Janeiro os morros amanheceriam reflorestados e aquela montoeira de barracos ressurgiria como casas em bairros decentes de zonas menos centrais, é verdade, mas servidas 24 horas por ônibus, trens e metrô, fora o comércio que floresceria devido à diminuição de impostos que a reforma tributária, votada em regime de urgência pelo Congresso (que trabalhou nas férias sem receber hora-extra), proporcionou.

Os mensaleiros do PT e os corruptos dos demais partidos pediriam desculpas à população em rede nacional e iriam silenciosamente para os presídios pagar sua dívida com a sociedade.

Estádios moderníssimos com o entorno totalmente urbanizado brotariam do chão, já preparados para que, ao final das competições, servissem de escolinhas e espaços de treinamento para as crianças das escolas públicas que conquistaram o 5º lugar na avaliação surpresa que a ONU realizou em mais de 100 países. Não dá para querer o 1º lugar em tão pouco tempo, mas especularia-se que em no máximo 10 anos o Brasil chegaria lá, já que os salários altos dos professores que abandonaram o marxismo farofeiro e resolveram ensinar algo que preste transformou nossos grupos escolares e colégios em Etons, Le Roseys e Trinitys tupiniquins.

Pessoas iriam do Rio a São Paulo por ferrovia em poucos minutos para assistir os jogos no moderno e não-poluente trem bala, que foi celebrado e festejado como o mais barato e eficiente jamais construído no mundo.

Incrível, incrível.

Como nada aqui é feito como deve, a copa da corrupção, o torneio mundial das promessas não cumpridas e a olimpíada da roubalheira seriam um verdadeiro fracasso. Mas ao mesmo tempo seriam um sucesso às avessas.

O Brasil teria deixado de ser Brasil. E isso seria ótimo.



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