quarta-feira, 28 de maio de 2014

Opressor ou oprimido?

Desde que Marx estava meio sem o que fazer e criou a teoria da "luta de classes", o mundo é obrigado a parar para resolver toda hora onde está o opressor e onde está o oprimido. Óbvio que na cabeça dos marxistas isso é bem simples: opressor é todo mundo que discorda deles.

Só que a realidade, como sempre essa chata da vida real, aparece para dar uma leve sabotada no que teóricos e seus fiéis seguidores pensam ser uma fórmula do mundo ideal.

Dito isso, não é raro ficarmos diante desse tipo de questão, sobre quem explora quem e, principalmente, sobre o seu direito (ou não) de se sentir explorado. Pra começar, se você fizer parte de qualquer estereótipo que eles considerem como "burguesia", você vai ser um explorador. É coxinha e pronto.

Não interessa o peso do estado, da sociedade e da culpa que educadores, a TV e os politicamente corretos façam cair sobre os seus ombros, você será sempre um opressor.

Mas só por um exercício de raciocínio (e nessa parte do texto 99% dos esquerdistas vão parar de ler, assustados com o termo), vamos imaginar situações que a catilinária marxista não costuma falar, e assim tentar identificar onde está o opressor e o oprimido.

Por exemplo: um pequeno proprietário rural vive de sua lavoura e do arrendamento de um pedaço de sua terra. Paga impostos, sofre com a seca e as promessas do governo de levar água para a sua região que nunca se concretizam, trabalha de sol a sol e vê o preço de sua safra cair pela metade. Só que, a despeito de saber que seu arrendatário passa pelas mesmas dificuldades que ele, exige pagamentos religiosamente em dia e vive ameaçando expulsar o sujeito de sua propriedade. O que seria ele? Opressor ou oprimido?

Vamos simplificar um pouco mais: José trabalha como peão numa obra. Passa o dia cultivando calos nas mãos sob um calor de 40 graus para ganhar pouco mais do que um salário mínimo no final do mês. Seria ele um oprimido? Mas e se você souber que José gosta de sair do trabalho e tomar uma pinga, chegar em casa bêbado e dar uns berros com a esposa e os filhos, seria ele, agora, um opressor? É aqui que o neurônio proletário começa a brigar com o neurônio feminista.

Um maconheiro que apanha da polícia e é achacado só porque o governo ainda não achou uma equação racional que descriminalize drogas leves e não permita o avanço do crime organizado, mas que depois, junto com outros maconheiros, faz um manifestação que fecha a principal avenida da cidade, obrigando pessoas que passaram o dia no trabalho a chegarem duas horas mais tarde em casa, ele é opressor ou oprimido?

E um empresário que coloca todo mundo para fazer hora extra, ão abona faltas, que é temido por todos, desde o porteiro até o vice-presidente da empresa, mas que é chamado de diariamente de imbecil pela esposa, de frouxo pelo amante dela e de idiota pelos filhos, que só querem saber do seu cartão de crédito. O que seria esse sujeito?

A realidade é que todos somos oprimidos e opressores. O coitadinho que te diz que só quer dinheiro para "comer um lanche" e depois vai comprar cigarro está usando um sentimento poderoso (a sua culpa) para tomar algum dinheiro de você. Digamos que aquela nota de 5 reais seja um troféu e você, abatido pelo sentimento de que toda a necessidade alheia é um pouco responsabilidade sua, perde para ele de goleada.

Amizades, relacionamentos amorosos, profissionais, negócios, vendas, tudo isso é apenas uma luta para ser vencer o outro.

Não existe coitadinho, existe sempre o adversário.

Oprimido é quem está do nosso lado, o que nos interessa. Opressor é o outro, aquele que se coloca entre você e seu objetivo, seja ele qual for: um lanche, um aumento de salário, uma promoção no emprego ou a permanência de um partido por décadas no poder.



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