sexta-feira, 2 de maio de 2014

Só o Papa chorou

O Papa Francisco declarou neste 2 de maio que chorou ao saber que cristãos estão sendo crucificados na Síria. Em outras oportunidades, o mesmo aconteceu no Egito.

Mas vamos falar português claro: cristãos não se crucificam sozinhos (desconto aqui aqueles devotos que o fazem como representação do sofrimento de Cristo), alguém os crucifica e são muçulmanos que fazem isso.

Seja por se recusarem a pagar taxas de proteção, por não pagarem resgates em sequestros ou por crimes gravíssimos como ostentar símbolos cristãos, rezar em público ou badalar sinos, este é o tratamento que recebem onde são minoria.

O Ocidente, que em nome da "tolerância" e da "diversidade" se curva à berraria dessa gente, mal fala sobre esses casos. É uma fórmula cruel e injusta, que considera a França "racista" e "intolerante" por querer proibir a obrigação do uso de véus em seu território, mas aceita como "cultural" abjeções como apedrejamentos de "infiéis", condenações à morte de mulheres estupradas, sentenças pesadas contra quem desenha Maomé e até crucificações.

Não tenho medo de algum relativista me chamar de "etnocêntrico" ou o que valha. Só a cultura ocidental promoveu o ambiente de liberdade que propiciou o debate de idéias, o avanço de modos de vida, a aceitação de direitos básicos de cada ser humano. É, pois, superior à de gente que crucifica pessoas porque são de uma religião diferente.

E é urgente que comece a enxergar que a tolerância com os intolerantes só leva ao triunfo destes, que não terão a mesma condescendência depois que prosperarem.

Imagine se numa cidade do interior da Europa cristãos invadem uma mesquita e matam um bando de muçulmanos, pendurando todos em árvores.

A imprensa internacional não falaria em outra coisa, imagens de Hitler seriam evocadas, as ruas do Oriente Médio seriam incendiadas por multidões em fúria, aiatolás e imãs emitiriam fatwas, ONGs, esquerdistas e ateus falariam em uma nova cruzada e o Papa teria que pedir desculpas mais uma vez pelo que não fez.

Mas dessa vez foram apenas cristãos. De novo. E só o Papa chorou.



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