sexta-feira, 13 de junho de 2014

A vaia na mediocridade

Depois de algumas horas tão desorientados quanto ficou Dilma Rousseff ao ser vaiada por um estádio lotado, os petistas já se reagruparam em torno de uma mensagem - provavelmente soprada por algum marqueteiro que passou a noite pensando em algo - e resolveram, logo eles, achar um absurdo que o povo que vem tomando caju há 12 anos com o governo do PT mandasse a Soberana que quer governar junto com o MST por decreto fazer a mesma coisa.

Pena (para eles) que soluções criadas a toque de caixa geralmente são cheias de falhas e essa não haveria de ser diferente. Algumas argumentações chegam a ser infantis e outras mostram toda a hipocrisia e incoerência de gente que é aliada dos narco-terroristas das FARC, defende a liberação indiscriminada da maconha, mas insiste em caluniar um adversário chamando-o de "cheirador".

Pra começar esse papo de que "o povo não foi ao estádio". Ora, a impressão que dá é que só tinha rico ali, rico chateado porque "a empregada anda de avião" (risos). Ainda que fosse verdade, rico não tem direito de ter posição política? Um partido politiza o evento até mais não poder e depois fica chateado porque os outros resolveram fazer o mesmo?

O problema é que tinha povo ali sim, não essa coisa abstrata que "formadores de opinião" de aluguel e militantes profissionais chamam de povo, mas simplesmente pessoas que nasceram e/ou moram no Brasil, pagam seus impostos no país, votam, enfrentam o dia a dia bisonho do local e consequentemente são também o tal "povo brasileiro".

O PT arrumou um pó de pirlimpimpim que é jogado sempre que está acuado: diz que a pessoa que falou as verdades sobre o partido não é "povo". Ora, mais de 70% da população querem OUTRO presidente, a atual locatária do Planalto não passa dos 30 e poucos por centro de votos, como o PT representaria "80% de trabalhadores contra uns coxinhas pessimistas"?

A equação é essa: quem vaia não é povo, quem critica não é povo, quem vota contra não é povo.

Qualquer dia o PT faz exame de ordem pra dar carteirinha de povo.

Outra acusação é mais ou menos parecida e diz que apenas "brancos e loiros" estavam ali, que a "elite paulistana é burra e estúpida" e que "só meia-dúzia de vira-latas vaiaram o Neurônio Solitário". Dizer o que de tamanha imbecilidade? Primeiro porque pelo tamanho daquela vaia, ou era uma meia-dúzia com pulmão de super-herói ou então a matemática companheira anda com problemas (pra variar). Depois, brancos e loiras também têm direitos ou não? E essa fixação por São Paulo?

Gente, o PT sonha em governar o estado (ainda que só apresente nulidades como candidatos a governador), mas passa quatro anos fazendo do paulista a sua Geni. É adjetivação pra todo gosto: preconceituosos, coxinhas, elitistas, burros, tapados, retrógrados, atrasados. Aí em época de eleição decidem que São Paulo tem que virar masoquista e eleger um partido que destila bile contra seus cidadãos. Perdem, claro, e ficam ressentidos, xingando mais. Difícil de entender, mas cabeça de petista e fralda de neném não são muito diferentes.

A última acusação é de "falta de educação" em vaiar e mandar uma "senhora de 68 anos tomar caju". Talvez se a "senhora de 68 anos" não fosse uma grosseira, mal educada e autoritária que está há um mês se referindo ao pagador de impostos como "vira-latas", ela não seria mandada tomar caju e fosse apenas vaiada mesmo.

Em todo caso, pelo que já fizeram e disseram sobre a pessoa, a honra e a família de adversários como Fernando Henrique Cardoso, José Serra e Aécio Neves, COM CERTEZA petistas são as últimas pessoas do mundo que tem moral para reclamar de baixaria.

Foi baixaria? Sim, foi. Foi merecida? Sim, foi.

Brasileiro vaia até minuto de silêncio, porque não vaiaria 12 anos de mediocridade?



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