quinta-feira, 26 de junho de 2014

Armandinho, o chato

Ele é uma espécie de versão masculina da Mafalda, a personagem argentina que foi adotada (está mais para sequestrada) pelos chatos de DCEs do Brasil todo. Armandinho tem sempre uma mensagem "do bem".

Veja a beleza interior, não seja consumista, só compre orgânicos, não compactue com o fascismo da polícia repressora, cuidado com o efeito estufa, etc.

Se existisse na vida real, quando crescesse Armandinho seria eleitor do PSOL, suspiraria com as cretinices do Marcelo Freixo, detestaria a Sheherazade, usaria Guarani-Kaiowá no sobrenome, seria a favor do desarmamento, berraria "Cadê o Amarildo?" (as centenas de PMs mortos ele iria preferir que se danassem), iria na Marcha das Vadias segurando um cartaz com a inscrição "homem feminista", faria protesto usando saias, usaria aquela barbinha de intelectual de um livro só, seria entusiasta do MST, da favelização, acharia um absurdo reprimir comércio ambulante e transporte ilegal, curtiria música "de raiz", faria uma daquelas viagens pseudo-espirituais (Sana, Ibitipoca, Trindade) como desculpa para encher o rabo de maconha, faria "poesia marginal" e "grafite conceitual", curtiria uma rodinha de violão e manteria uma relação aberta com uma feminista de calcanhar rachado e cabelo no sovaco.

Em suma, seria um chato. Mas no Brasil teria grande chance de vencer na vida como dirigente sindical, professor comunista, músico de MPB-Lei Rouanet ou blogueiro progressista.

Não posso nem dizer que é sorte ele estar nos quadrinhos e não existir na vida real, porque seria até bom que fosse apenas um.

Não faltam Armandinhos por aí. O Brasil é um estuário de malas-sem-alça. A República dos Armandinhos.



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