domingo, 6 de julho de 2014

Aécio presidente!

Um dos grandes arquitetos da Nova República, o tempo de liberdade que vivemos há 30 anos, não pegou em armas, não matou civis, não participou de guerrilhas, não assaltou bancos, não sequestrou embaixadores.

Teve seus direitos tolhidos, sua liberdade ameaçada, sua alma torturada, suas garantias violadas, mas lutou com a sua voz, sua articulação, sua tenacidade democrática e por isso mereceu de seu povo um amor que poucos homens públicos mereceram.

Tancredo Neves não dividiu o país, não nos separou por raça, renda, região, mas nos fez ver que este país grande também tinha a chance de, com muito trabalho, ser um grande país.

Quis o destino que sua presidência só existisse na imaginação de cada brasileiro, cada um com o seu Tancredo.

Ao seu lado, desde cedo, seu neto Aécio pode contemplar e aprender pérolas da boa política, ensinamentos de união, tesouros de mineiridade.

Se destacou e, entre defeitos e erros, suas qualidades o fizeram ser um dos governadores mais populares de um dos estados mais importantes do país.

Hoje, véspera do dia em que Aécio sairá de Minas para se dedicar ao Brasil, conversar com sua gente, ouvir seus problemas e dividir seus sonhos como candidato a presidente, talvez, quem sabe, cumprindo um pouco dos sonhos de quem sonhou e chorou com Tancredo, desejo a ele e, mais ainda, ao país, toda a sorte necessária para que a Era da Mediocridade termine e uma nova era de mais decência e de menos gente se servindo do país, para que mais gente sirva ao país, tenha início.

Cada um tem em seu coração um presidente ideal, eu tenho, vocês têm, mas o presidente ideal, por sua própria natureza irreal, é apenas um guia para nos orientar em nossas escolhas reais.

E neste ano a minha escolha é Aécio. Quero deixar isso claro desde o primeiro dia de sua candidatura oficializada, pois hoje no Brasil a imparcialidade serve apenas aos inimigos da democracia, aos chavistas sorrateiros, aos tiranos com sonhos de um poder eterno e total.

Se depender de mim, não. Que também não contem com a sua ajuda para piorar o Brasil. O melhor, o futuro, o fim dessa longa noite de 12 anos na política brasileira repousam suas esperanças neste mineiro, brasileiro, Aécio Neves.

Deixo um poema de Drummond para nos inspirar nessa longa caminhada.

Ser Mineiro - Carlos Drummond de Andrade

Ser Mineiro é não dizer o que faz,
nem o que vai fazer,
é fingir que não sabe aquilo que sabe,
é falar pouco e escutar muito,
é passar por bobo e ser inteligente,
é vender queijos e possuir bancos.

Um bom Mineiro não laça boi com imbira,
não dá rasteira no vento,
não pisa no escuro,
não anda no molhado,
não estica conversa com estranho,
só acredita na fumaça quando vê o fogo,
só arrisca quando tem certeza,
não troca um pássaro na mão por dois voando.

Ser Mineiro é dizer "uai", é ser diferente,
é ter marca registrada,
é ter história.
Ser Mineiro é ter simplicidade e pureza,
humildade e modéstia,
coragem e bravura,
fidalguia e elegância.

Ser Mineiro é ver o nascer do Sol
e o brilhar da Lua,
é ouvir o canto dos pássaros
e o mugir do gado,
é sentir o despertar do tempo
e o amanhecer da vida.

Ser Mineiro é ser religioso e conservador,
é cultivar as letras e artes,
é ser poeta e literato,
é gostar de política e amar a liberdade,
é viver nas montanhas,
é ter vida interior,
é ser gente.



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