quarta-feira, 23 de julho de 2014

Cinquenta Anos Esta Noite

Estive ontem na Livraria da Travessa, no Rio de Janeiro, para assistir a um bate-papo entre o cara que está agitando o mercado editorial brasileiro, Carlos Andreazza, da Record, e o governador José Serra. 

O evento marcou uma noite de autógrafos da autobiografia do atual candidato a senador, "Cinquenta Anos Esta Noite", e contou com a presença de muita gente boa que não carrega consigo a culpa de ter colocado uma nulidade como Dilma Rousseff na presidência no lugar do Serra.

O governador contou um pouco sobre o processo de criação do livro, sobre como achou curioso descobrir várias nuances sobre a obra a partir das críticas que ela recebeu, sobre os anos no exílio e também a sua convivência com personagens da história brasileira como o presidente João Goulart e o governador Leonel Brizola.

Quem compareceu à Livraria da Travessa com certeza não se arrependeu e pode ver um Serra bem humorado e brincalhão, bem diferente da caricatura carrancuda que a imprensa chapa branca petista faz dele.

Mas a parte que mais me interessou foi uma pergunta que o Carlos Andreazza fez - e que também é uma pergunta que me faço há muito, muito tempo: como a UNE, que era identificada com as lutas pela democracia, com propostas maiúsculas para o Brasil, uma entidade que tinha tal relevância que seus presidentes, como foi o caso de Serra, eram interlocutores de ministros e até mesmo do presidente da República, pode ter se tornado essa coisa que é hoje, um mero braço estudantil do lulopetismo, uma entidade que vive de mendigar esmolas do governo e de fazer o trabalho sujo para o PT dentro das universidades.

Serra disse que realmente as propostas da entidade eram mais generosas e que hoje há um "corte mais corporativo". O governador obviamente foi elegante, afinal não estava ali para falar de coisa triste, mas o fato é que a UNE hoje é um espantalho do que já foi um dia.

Dominada pelos comunistas de galinheiro do PC do B, a entidade estudantil hoje nada mais é do que um sindicato, um ajuntamento de demagogos e gente que faz estágio para virar político ruim, funcionário de cargo comissionado ou dirigente sindical.

O que já foi um polo de contestação, de pensamento de vanguarda sobre a realidade e os problemas do Brasil, agora não passa de mera emissora de carteirinhas de meia-entrada e puxa-saco do oficialismo. Feudo da esquerda caviar e repositório de idiotas úteis.

O melhor seria mudar logo o nome da entidade, de União Nacional dos Estudantes para União Nacional dos Indivíduos Aspirantes a Aspone e Temporariamente Matriculados em Alguma Instituição Onde Só Frequentam o Pátio, o Bar e o DCE.

Ou então, para não perder sua sonora sigla, poderia mudar simplesmente para UNE, a União Nacional dos Estafetas.

Link de uma boa reportagem sobre o evento:http://m.jb.com.br/rio/noticias/2014/07/22/em-noite-de-autografos-serra-comenta-situacao-de-ativistas-presos-no-rio/

P.S.: Na foto, eu e o governador José Serra, meu voto para presidente em 2010 e, espero, o voto dos paulistas e paulistanos que prestam para o Senado em 2014.



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