segunda-feira, 28 de julho de 2014

Classificação etária

O português João Pereira Coutinho diz que um dia o governo ainda vai querer nos ensinar que para respirar corretamente é preciso inspirar e expirar. Sem esquecer de repetir a operação indefinidas vezes, eu acrescentaria.

O Estado, ainda mais Estados grandes, inchados e que se acham promotores do "bem", possuem essa tendência a tratar todo cidadão como se fosse um completo palerma. 

É por isso que garotas-propaganda do Estado babá, como a Anvisa, acham que podem determinar o que você vai beber, comer, tomar, fumar e até assistir. Fora o Conar e a Xuxa, que têm certeza de que sem suas prestimosas ajudas, jamais conseguiríamos criar nossos filhos sem que terminassem traumatizados ou virando psicopatas.

Um dia alguém resolveu colocar um aviso nos maços de cigarro dizendo que fumar faz mal. Acho desnecessário, qualquer imbecil que saiba juntar o "C" com o "u" e formar "Cu" (calma, é apenas o símbolo do cobre na tabela periódica) pode pesquisar por conta própria e descobrir as centenas de doenças causadas pelo fumo.

Mas tudo bem, vamos dar um desconto. Um aviso não mata ninguém. O problema é que o Estado nunca fica satisfeito. Depois dos avisos, vieram as imagens grotescas, depois das imagens grotescas, a proibição das propagandas, depois da proibição das propagandas, a proibição do patrocínio a qualquer coisa, e assim ficamos, por exemplo, sem o Free Jazz Festival e sem o Hollywood Rock. Dane-se a lógica, afinal, ir a um show do Bon Jovi ou do Spyro Gyra deve mesmo ter OBRIGADO muita gente a virar fumante.

E assim chegamos à proibição de fumos com essência, de fumo de cachimbo com essência e daqui a mais alguns anos não duvido que a Anvisa vá querer regular quantas vezes o Estado vai MANDAR que escovemos os dentes por dia.

O cidadão, que sustenta o Estado, não merece e não deve ser tutelado por este. Isto é inaceitável.

O que dizer então de "classificações indicativas" de programas de TV? Ora, como mero "guia aos pais" já seria estranho, visto que não existe uma figura uniforme do que seriam "pais". Cada casa tem suas regras, cada casal tem sua forma de criar seus filhos, mas, novamente, vá lá, é uma "ajuda" inocente.

O problema é quando é uma "ajudinha" no mínimo estranha e um governo que considera Valesca Popozuda como matéria de prova na rede de ensino público e programas como o "Esquenta" da Regina Casé como "cultura", resolve impor seus parâmetros na casa dos outros, ainda que em forma de simples "avisos".

Assim o "Esquenta", que mostra pessoas dançando de forma lasciva, lixos musicais, erotismo exacerbado, português errado e demais aberrações, ganha classificação "Livre" e um outro programa, o "Trato Feito", que mostra o dia a dia de uma família num negócio de compra. venda e penhor de jóias, objetos raros, veículos e itens de coleção, é classificado como "Não recomendado para menores de 12 anos".

O resumo: mostrar as carnes e rebolar na TV ao som de letras de duplo sentido é mais edificante para crianças abaixo de 12 anos do que ver alguém trabalhando e ganhando sua vida sem precisar da ajuda de ninguém, muito menos do Estado. Mas que horror! Imagina se alguma criança se contamina com capitalismo? Aff. Só a Casé para livrá-las disso.

Mas se pensarmos bem, faz sentido que um país que procura transformar todos os seus cidadãos em parasitas Estado-dependentes, não precisar de "pais da pátria" para nada deve ser mesmo um absurdo. Um comissário da Anvisa ou do Conar deve ter até urticária pensando nisso. Só banho com água de Che pra limpar.

O problema é que é esse tipo de gente que pensa que pode te dizer o que beber, comer, tomar, fumar e até assistir. Uma gente que, pelo que se vê fazendo por aí, deveria ser obrigada a se submeter a um teste de bafômetro antes de assinar qualquer decreto.

Não prestam nem para tomar conta do que devem, mas acham que devem se meter onde não são chamados.

P.S.: A imagem é de um blog, não é de minha autoria, não me refiro ao Brasil como "bostil".



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