quarta-feira, 9 de julho de 2014

É vexame pra todo lado

Um amigo de longa data me lembrou um detalhe muito interessante sobre o jogo de ontem no Mineirão. Enquanto todos compartilhavam uma foto do cantor Mick Jagger no estádio, creditando à ele o mau agouro que levou o Brasil a tomar aquela surra da Alemanha, ao seu lado, careca e de camisa do Brasil, estava ninguém menos que Ricardo Guimarães, uma das verdadeiras aves de mal-agouro do futebol Brasileiro.

Dono do BMG, aquele banco que tinha um contrato de empréstimos consignados junto ao governo federal e que, fosse o Brasil um país sério, teria levado Lula ao banco dos réus devido a uma ação de improbidade administrativa que o acusava de promoção pessoal e de beneficiar o banco, envolvido no escândalo do mensalão.

O Ministério Público Federal cobrava de Lula e do ex-ministro da Previdência Amir Lando a devolução de 9,5 milhões de reais aos cofres públicos, pelo envio de cartas a assegurados do INSS informando sobre a possibilidade de obter empréstimos consignados a juros reduzidos junto ao amigão Guimarães.

No fim, graças à justiça federal de Brasília, o morubixaba do PT teve sua cara livre de novo.

Guimarães hoje patrocina vários times do Brasil em troca de uma porcentagem dos negócios. Talvez isso explique a presença do obscuro iraniano Kia Jorabichian um pouco mais abaixo na foto. Kia apareceu no Brasil por volta de 2005 a bordo de uma coisa chamada MSI (um fundo de investimento em esportes com dinheiro sabe-se lá de onde) e que depois de milhões movimentados para lá e para cá, de acusações de envolvimento até com a máfia russa, de um campeonato maculado pela máfia do apito e suspeitas de arranjo de resultados, desapareceu na poeira, voltando às catacumbas de onde só sai para agenciar jogadores.

Junte-se a isso personagens tristes como o ladrão de medalhas José Maria Marin, presidente desta entidade bizarra e caliginosa que é a CBF, e temos a receita do desastre.

Marin, aliás, expulsou o capitão do pentacampeonato, Cafu, do vestiário após a derrota contra a Alemanha, sob alegação de "não querer estranhos ali". Com certeza nada mais estranho a Marin e a este elenco patético do Felipão do que um CAMPEÃO.

Como disse o meu amigo, "depois falam do Mick...".

Pois é, quem dera o problema da seleção fosse o bocudo dos Rolling Stones e não as bocarras famintas por toda parte.

O futebol brasileiro é apenas um retrato do país: corrupto, atrasado, dominado por gente cujo único talento é o pior tipo de esperteza e que perde de goleada o tempo todo. Seja na saúde, na educação, nos transportes, na infra-estrutura, na eficiência dos serviços, na qualidade de vida, na ética com a coisa pública.

A diferença é que dessa vez o vexame habitual entrou em campo.

Só.



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