segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Alguém avise ao Aécio que ficar por aí dizendo que petistas são pessoas de bem não vai fazer eles pararem a campanha suja contra ele?

Já explico.

O governador Mitt Romney, candidato republicano à presidência dos EUA em 2012, passou a campanha inteira dizendo uma série de coisas bem interessantes: que o Obamacare (um SUS americano criado por Obama) acabaria retirando das pessoas os planos que elas já tinham e encarecendo alguns preços, que a Rússia era um adversário a ser observado, que a saída do Iraque sem deixar uma força militar remanescente no país poderia fazer com que todo o esforço em vidas e recursos realizado até ali fosse em vão, porque o terrorismo iria tomar o país.

Obama, naquele seu jeito de "o escolhido", zombou de cada uma dessas afirmações, dizendo que Romney estava "desconectado da realidade".

Passados dois anos do segundo mandato de Obama, os planos de saúde cancelaram várias apólices por conta do Obamacare, algumas mensalidades realmente subiram, a Rússia se mete no Oriente Médio para apoiar terroristas e aiatolás atômicos além de interferir de forma brutal na Ucrânia e o Iraque virou um paraíso para psicopatas muçulmanos, tanto que os EUA voltaram a bombardear posições terroristas no país.

O resumo é que Romney estava certo em tudo, mas ainda assim perdeu. Claro que a hipnose que um "presidente negro" causou em racialistas, coitadistas e politicamente corretos deu a Obama um "passe livre" para fazer coisas que não seriam toleradas caso fosse outro presidente. Espionou cidadãos, usou a receita federal para perseguir adversários, em seu governo funcionários mentiram para o Congresso, destruíram provas e depois tiveram que admitir, sob suas barbas um embaixador foi linchado e morto por terroristas na Líbia, enfim, trata-se do primeiro presidente subdesenvolvido que aquele país conheceu.

Mas as pessoas ignoraram tudo isso em nome do "momento histórico" e daí Obama, que já fizera um péssimo primeiro mandato, foi reeleito. Mas muito dessa culpa também cabe a Romney. São vários os fatores, mas o que desejo ressaltar aqui é o seguinte: a forma como os dois candidatos se trataram e retrataram o outro durante a campanha.

Enquanto Mitt Romney passou a eleição inteira dizendo que Barack Obama era "um bom homem, um bom pai de família, mas uma pessoa equivocada e cercada por maus conselheiros", a campanha democrata se esforçou o tempo todo para retratar Romney como um milionário insensível, um empresário que demite funcionários com câncer, um lunático que "amarra o cachorro no teto do carro para viajar", que "tem prazer em demitir pessoas", que "despreza 47% do eleitorado", que não gosta de minorias, que era um "abutre" do mercado de capitais, enfim, que se Romney fosse eleito, os EUA virariam um Auschwitz governado por "aquele mórmon".

Várias histórias reais - como, por exemplo, da vez em que Romney praticamente parou sua multimilionária companhia e foi para a rua ajudar a encontrar a filha de um funcionário que desaparecera, gastando dinheiro do próprio bolso para encontrá-la - que humanizariam o candidato republicano, tiveram seu uso em anúncios na TV vetado por ele, por considerar serem "coisa pessoal".

Esse escrúpulo, mais a repetição de que Obama era um "bom cara", foram cruciais. As pesquisas de boca de urna revelaram que o eleitor americano tinha duas visões distintas sobre os candidatos: Romney era um administrador melhor, mas uma pessoa com quem eles não se conectavam, não era "gente como a gente". Já Obama não era um bom administrador, mas era "um bom homem, um bom pai de família" e por isso a empatia levava ao voto.

Todas as mensagens foram passadas com sucesso, tanto a republicana quanto a democrata, o problema é que, como sói a todo esquerdista, os democratas não sabem falar de seus adversários sem ódio, rancor e sem difamar seu caráter. Daí que o "cara legal" que não tem nada de legal venceu.

Assistindo ontem uma entrevista do candidato Aécio Neves no programa Canal Livre, senti uma estranha sensação quando o vi definir Dilma Rousseff como uma "mulher de bem" que está cercada de gente ruim.

Vejamos: a comadre da Erenice, amiga da Graça Foster, a presidente que mantém abjeções como Gilberto Carvalho e Ricardo Berzoini no governo, que nomeia togas companheiras para aparelhar o STF, que abafa CPIs, que inaugura obras imaginárias, que mente deslavadamente e, pior, que autoriza sua campanha e seus "aliados" na internet a dizer que Aécio é usuário de drogas, que se aproveitou de sua própria filha para traficar diamantes, que tem ligações com traficantes de órgãos, que deseja matar o povo de fome, acabar com programas de saúde, vender o país para "uzamericano", que chegam ao cúmulo de atacar o presidente Tancredo Neves, um homem já morto, somente pelo fato dele ser avô de Aécio, é uma "mulher de bem"?

Me desculpe, governador, mas Dilma pode não ser criminosa, já que não foi condenada a nada, pode não ser corrupta, já que existem provas de que enfiou qualquer quantia no próprio bolso ou no de alguém, mas ela não é uma "mulher de bem", porque andar na lei (ou conseguir dar essa impressão) não faz de alguém uma pessoa "do bem".

A forma do PT fazer política nesses últimos 30 anos e, mais especificamente, nesses 12 anos no poder, mostram que eles até se imaginam proprietários exclusivos do bom e do belo, mas que estão longe de ser "do bem".

Ficar por aí dizendo que candidatos petistas em geral são pessoas "de bem" não vai transformá-los em pessoas "do bem" que de uma hora para a outra vão parar com o jogo pesado e sujo que é sua tática eleitoral de sempre.

Repetir isso ao invés de mostrar as fábricas de dossiês, os estupros de sigilo, os arapongas, os blogs sujos, a campanha encarniçada que o partido move contra a democracia, as alianças com ditaduras, a leniência com genocidas, a tolerância com corruptos, os desvios de recursos e o aparelhamento do Estado, tudo coisa de gente que não é do bem, é a receita para a derrota.

Nem os petistas vão mudar sua natureza e nem a oposição vai mudar a natureza dos petistas, mas é obrigação de quem deseja o melhor para o Brasil mostrar essa natureza ao cidadão.

E ela não é nada boa.


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