segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Dá o dedinho aqui

Veja que beleza a tecnologia venezuelana em ação. Quer farinha e papel higiênico? Primeiro dá o dedinho aqui. 

O cara vai ao supermercado, coloca no carrinho dois cachos de banana, duas garrafas de refrigerante, cinco latas de leite condensado, cinco pacotes de biscoito, quatro rolos de papel higiênico, um saco de feijão, um saco de arroz e um pacote de macarrão.

Empurra o carrinho até o caixa, despeja a mercadoria na registradora, dá o dedinho, o leitor de digitais o reconhece e o computador do governo solta um apito sinistro, fazendo a caixa perguntar:

- O senhor está com diarréia?

- Como é que é?

- O senhor, está com diarréia?

- Mas que negócio é esse?

- É que sua cota de papel higiênico já estourou, agora só mês que vem.

- Hein? Mas tem papel no mercado, eu tenho dinheiro, pretendo pagar, o que é isso?

- É o sistema de compras justas do governo, senhor. O senhor só pode comprar uma quantidade determinada de produtos por mês para que todo o coletivo possa comprar também e não haja escassez.

- Mas escassez já há, afinal quero comprar e você não deixa.

- Eu não, o Plano Governamental da Suprema Felicidade e Abastecimento.

- Que seja, isso é um absurdo.

- Absurdo é o senhor fazer número 2 desse jeito. Está aqui: semana retrasada dois rolos, semana passada três rolos, essa semana já quer mais quatro, deve ser esse monte de leite condensado e biscoitos que o senhor come.

- E o que é que você tem a ver com isso? Como o que quiser.

- Claro, o problema não é meu, é seu, mas o negócio é que esse monte de papel aí não vai poder.

- E o que eu faço? Limpo com jornal?

- Jornal não, o governo está controlando o papel jornal também.

- Faz o seguinte, eu tiro algumas mercadorias e levo só o papel.

- Mas as outras estão dentro no limite máximo e não é possível trocar, caso contrário outra pessoa pode ficar sem. E não adianta levar feijão se a pessoa quer papel higiênico.

- Eu que o diga.

- Vamos fazer o seguinte, esse mês é festa de aniversário dos meus filhos e preciso fazer tantos doces que já estourei minha cota de leite condensado, o senhor me vende suas latinhas que eu vendo dois rolos de papel, tudo bem?

Nisso um sujeito que estava na fila ouvindo a conversa saca um apito do bolso, começa a apitar e berrar:

- Contra-revolucionários! Agiotas de mercado negro! Criminosos! Sou fiscal do Maduro e não permitirei isso! Polícia!

E o consumidor e a caixa do supermercado são levados dali algemados para averiguações.

Nada como viver num país onde NÃO existe racionamento, apenas um "registro biométrico".




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