terça-feira, 19 de agosto de 2014

De flor do Lácio à tiririca do brejo

"Oje o omem comeu qeijo antes de ir pra aula de istória". Vê algo errado nessa frase? Óbvio, algo assim parece uma bosta escrita por um energúmeno que já, já estará andando de quatro.

No entanto é a forma como uma "comissão técnica" do Senado Federal deseja que a Língua Portuguesa seja reformada em mais uma mutilação do idioma feita por políticos e professores que preferem "simplificar" do que trabalhar e ensinar direito.

A última reforma ortográfica que aboliu tremas, hífens e alguns acentos já aproximou bastante o português escrito de um internetês tatibitati falado por imbecis. Tanto que até hoje enfrenta dura oposição em Portugal. que com toda razão conta com grupos de pessoas que não desejam se submeter aos anseios de ex-colônias que não conseguem educar suas crianças.

Mas essas mudanças estudadas pela tal comissão composta inclusive por gente como Pasquale Cipro Neto e Ernani Pimentel vai além. Sob o argumento de que algumas regras (como o uso de certas letras, o hífen, os acentos de pára/para, fôrma/forma) continuam "dificultando" e "encarecendo" o ensino, propõem que tais regras sejam eliminadas, para que sobre mais dinheiro para ser roubado pelo governo e mais tempo para que as crianças ouçam funk e tenham aulas do kit gay ou algo parecido.

Afirmo aqui: defendo o que me prejudica. Erro bastante quando escrevo - já errei bem mais, é verdade - mas agradeço a cada correção, porque me faz ser melhor em todos os aspectos. Prefiro errar e ser corrigido dentro de normas que não empobreçam a o português do que estuprar essas normas só para não ver ninguém me corrigindo.

A língua falada nas ruas é uma, não necessariamente idêntica à escrita. Não se vê por aí alguém dizendo "nossa, que brigadeiro apetitoso, acho que agora irei comê-lo". O que se diz amiúde é mesmo "nossa, que brigadeiro gostoso, agora vô comer ele". Ninguém morre por isso, assim como não tira pedaço usinar as palavras antes de jogá-las no "papel".

Porque nessa pegada em que estamos, se a última reforma aproximou o português do internetês, essa nova que estão pensando em fazer nos deixaria escrevendo o equivalente a sons de babuínos brigando por uma banana.

Mais duas ou três reformas e todos estarão grunhindo, mas aí prefiro aprender russo e esquecer da "Última flor do Lácio", que a essa altura não passará de uma tiririca do brejo.

Veja abaixo o que mudaria:

- Sem “H”
Deixa-se de escrever o “h” no início das palavras, porque ele não é pronunciado. Exemplos: oje, ora, istória, omem etc.

- ”QU” SEM O “U”
Deixa-se de escrever o “u”, porque não é pronunciado. Exemplos: qero, aqilo, leqe, qeijo etc.

- “CH” por “X”
Somente a letra “x” poderia representar esse som. Exemplos: flexa, maxo, caxo etc.

- “S” por “Z”
Somente a letra “z” seria usada para representar o som de za, ze, zi, zo, zu. Exemplos: bluza, analizar, ezuberante etc.

- Sem “SS”, “Ç”, “SÇ”, “XÇ” e “XC”
Os encontros consonantais acima seriam eliminados. O som de “s” seria representado apenas pela letra “s”. Exemplo: amasar, eseção etc.

Link da notícia: http://bit.ly/1yCdqRn




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