domingo, 31 de agosto de 2014

Defendendo um macaco dos outros

A gente "do bem" apedrejou a casa da moça que chamou o goleiro do Santos - um coitadinho oprimido com renda anual de seis dígitos - de "macaco".

Além disso ela foi intimada a prestar esclarecimentos na justiça, ainda que o principal ofendido, o macaco, não tenha se pronunciado. E antes que alguém comece a berrar, sim, ser comparado a qualquer ser humano, essa raça de mimimizentos, é ofensa ao macaco.

Mas vamos lá.

Fosse eu advogado da moça, resolveria o caso de maneira bem simples. Começaria a exposição dizendo que sim, ela realmente chamou o cidadão de macaco. E prosseguiria descrevendo como macacos provocam os espectadores no zoológicos - chegando a atirar fezes - e como a natureza provocadora e bagunceira do bicho levou o povo a denominar esse comportamento de "macaquice", independente da cor de quem faz.

O goleiro, fazendo cera e irritando a torcida, fazia macaquices, logo não há conotação racial, mas comportamental no desabafo tomado de emoção dentro de um estádio. Estivesse o goleiro chafurdando na lama de um campo encharcado pela chuva ou então comendo grama, o grito certamente não seria de "macaco", mas "porco" ou "boi".

Mostraria fotos de macacos brancos, ruivos e loiros, para provar que a cor preta não tem nada de exclusiva e que macacos também têm diversidade.

Terminaria minha defesa dizendo que a casa da moça foi apedrejada, ou seja, seres humanos de diversas cores se comportando como macacos atiraram coisas onde a família dela mora, provando de uma vez por todas que se alguém merece reclamar na justiça, esse alguém é o animal macaco, que não merece tal comparação.

Não vejo como o caso não sair arquivado depois dessa.

E quem ficar chateado, que vá plantar batatas (ou comer bananas).



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