sexta-feira, 22 de agosto de 2014

O indie de direita

A direita anda na moda. Tanto que um candidato presidencial afirmou que iria PRIVATIZAR a Petrobras em pleno Jornal Nacional e o país não entrou em colapso existencial por isso.

Em outros tempos já teria gente se juntando até para formar milícias para defender o "nosso" petróleo. Curiosamente ninguém recebe o seu quinhão do "nosso" petróleo em desconto na bomba de gasolina, mas ainda assim estariam prontos a defender a Petrobras dos "entreguistas".

Mas dessa vez não. A reação em alguns setores da sociedade foi até o oposto: "ah, esse pastor Everaldo é um recém-convertido querendo embarcar na onda direitista".

E se for, gente? E se for? Mudar de idéia é bom, só esquerdistas é que prezam a teimosia e burrice, chamando de "coerência" o fato de passarem décadas defendendo as mesmas teorias furadas. Se o pastor Everaldo mudou, se o seu vizinho mudou, se aquele seu amigo da faculdade foi desesquerdizado, que ótimo! É menos gente nadando no chorume do lado de lá.

Porque é irritante ver esses indies de direita reclamando que o cara não é "liberal" o suficiente, "anti-petista" de raiz ou "conservador" bem conservado:

- Esse cara não é true, é modinha, fala muito mas não sente o vazio existencial privatista.

Tenham dó!

O que vejo é que andam querendo fazer uma imitação da ala radical do Partido Republicano, só que o problema é que ainda não existe um Partido Republicano no Brasil. Todos, sem exceção, brincam de ser "de esquerda" e os que surgem são adeptos da Teoria Kassab, onde o partido é uma bola de encher: não tem lado direito e nem esquerdo além de ser oco por dentro.

Tudo bem querer brincar de Tea Party no Brasil, mas que tal formar uma maioria primeiro antes de fundar a minoria radical dela?

- Ah, como não tem um Ronald Reagan para votar no Brasil então vou anular meu voto.

E deixar a Dilma aí mesmo, campeão? Desculpe, mas eu tenho vergonha de você.

Quem chegou primeiro, quem já lia Mises em 2001, parabéns, você chegou à conclusões óbvias bem mais cedo do que os demais. Quem já "defendia" certos valores sozinho na faculdade, no trabalho, nas reuniões de condomínio e até em batizados, legal, você é um cara perseverante, mas isso não te faz em nada melhor do que alguém que entendeu que o marxismo é uma bosta na semana passada.

É mais um, e cada um deve ser muito bem vindo. Seus erros, equívocos e até acertos farão parte de um novo movimento, que com sorte um dia pode se tornar uma nova maioria. Uma maioria de indivíduos, diferentes, únicos, livres.

Até lá guarde o seu Rick Santorum e a sua Michelle Bachmann na gaveta.



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