sábado, 30 de agosto de 2014

Organizando a direita

Hoje li duas indagações interessantes que muita gente que ainda não embarcou no navio voador (foi a figura mais doida que pensei para ilustrar quem deseja mudar mas não sabe nem pra onde) da Marina também deve estar se fazendo.

A primeira é por que o Aécio não assume um tom mais combativo e não leva uma pauta social-conservadora para sua campanha. Quem defende isso acredita que se colocando contra o "casamento" gay, liberação das drogas, marxismo cultural, etc., o candidato do PSDB vai aglutinar uma maioria silenciosa e ganhar muitos pontos.

A segunda pensa como a primeira, mas não tem tanta certeza do sucesso disso, já que o pastor Everaldo está assumindo todas essas posições - além de uma agenda liberal no campo econômico - e ao invés de subir, cai nas pesquisas.

Essas, infelizmente, são duas falsas questões, porque partem de premissas equivocadas.

Primeiro, o Aécio não assume tal discurso por pudor, mas porque o PSDB é um partido de esquerda que foi empurrado para a direita pela radicalização do PT. Essa guinada dos tucanos foi uma contingência puramente eleitoral que o PSDB - a contragosto, diga-se de passagem - aceitou em troca de votos. Seus valores continuam sendo basicamente de esquerda.

Depois, o pastor Everaldo não tem sucesso em aumentar suas intenções de voto muito menos pelo que diz e muito mais pelo que é: o candidato de um partido minúsculo, sem tempo de TV, sem palanques regionais fortes, que era da base aliada do PT até há bem pouco tempo e que se diz liberal, mas aparentemente ainda não sabe direito porque.

Você precisa acreditar no que diz para que os outros também acreditem.

Aécio não diz certas coisas simplesmente porque não acredita nelas e o pastor não cativou muitos eleitores porque falta a ele tempo e estrutura, mas também porque o eleitor conservador pode ser tudo, menos burro e já percebeu que aparentemente trata-se de um ex-brizolista e ex-aliado do PT querendo surfar numa onda que não tem preparo pra dropar, só isso.

O eleitorado conservador deve se preocupar com a Câmara, uma boa bancada ali significa muito mais no momento do que a corrida presidencial.

Não se trata aqui de bancar o indie de direita que critiquei outro dia, é claro que todos são bem vindos, mas antes de me pedir votos, de "talk the talk", comece pelo começo e "walk the walk". O PT e a esquerda não construíram sua hegemonia em um dia e nós certamente não a derrotaremos em apenas uma eleição.



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