quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Se urna eletrônica fosse computador, a do Rio de Janeiro estaria cheia de vírus

Ontem o Rio de Janeiro assistiu o primeiro debate entre os candidatos a governador do estado. Quer dizer, quem não tinha nada melhor para fazer, como catar pulgas no cachorro, fazer um tratamento de canal ou ver algum filme iraniano com 9 horas de duração, assistiu o primeiro debate entre os candidatos a governador do estado.

E vou te contar. Não é a toa que o Rio seja cada vez menos maravilha e cada vez mais purgatório do caos. Garotinho, Crivella, Pezão, Lindberg e um tal de Tarcísio Motta poderiam acabar com suas diferenças após a eleição e criar algum programa de humor. Humor negro e sem graça, tudo bem, mas a Dilma Bolada prova que há público para isso.

A primeira esquete contou com Garotinho, que responde a inquéritos, processos e já chegou a ser condenado a 2 anos de prisão por formação de quadrilha,  tudo revertido através de recursos mas algumas coisas ainda pendendo julgamentos finais, acusando Pezão de não ter moral para governar pois o governo do estado responde a processos por desvios em verbas para obras contra enchentes. Se não entendeu a piada, leia de novo o início deste parágrafo.

O Garotinho é uma mistura daquele gordinho chato da Fantástica Fábrica de Chocolate com vilão bizarro do James Bond. Não consegue responder uma pergunta sem distorcer o que o adversário disse e fingir que é um Ghandi campista que pratica o desapego no dinheiro dos outros. Se um adversário fala "melhoramos alguns postos de saúde, falta melhorar o resto", Garotinho responde:

- Me espanta o senhor dizer que a saúde vai bem e ainda por cima chamar o povo carente de resto. Pra mim eles não são resto, são meus irmãos!

Fora sua defesa apaixonada do "transporte alternativo" (no mundo normal seria chamado de "ilegal" mesmo). Se tivesse que resumir a postura do ex-governador e marido da Rosinha sobre o assunto, diria o seguinte: elejam o Garotinho que ele vai colocar van até no elevador do seu prédio e dentro da sua casa. Um belo dia você vai acordar, abrir o banheiro e encontrar uma van ali.

Na segunda esquete, Lindberg, o homem que conseguiu a proeza de piorar Nova Iguaçu, não falava em outra coisa senão "obras na Baixada". Governou uma cidade da Baixada, não fez nada, mas agora jura que como governador vai fazer. Como passou o tempo todo reclamando que na Zona Sul e em outras regiões da Capital já tem metrô demais, policiamento demais, obras demais, infra-estrutura demais, fiquem sabendo os moradores dessas áreas que o "Lindinho" vai deixar todo mundo a pão e água caso vença.

Ao invés de falar mal das péssimas condições de outras partes do estado, o petista resolveu aplicar o "nós contra eles" e dizer que as poucas regiões que possuem condições um pouco acima de péssimas são uma espécie de Suécia recheada de favelas, moleques de rua, águas poluídas e engarrafamentos.

Aliás, igual o Lindberg já tem tanta gente boa no Rio, tipo o Garotinho, Quaquá, Sérgio Cabral, não é possível que não precisem dele na Paraíba, seu estado natal.

Adiante.

Na terceira esquete, Tarcísio Motta, candidato do PSOL, disse que um dos problemas da educação é a "meritocracia", que precisa ser abolida. Sem contar que precisamos de um "Brasil sem patrões". Creio que após abolir a meritocracia e declarar que a alfabetização é um mero detalhe, o partido do nome esquizofrênico -  ao invés de "socialismo E liberdade" deveria existir um "OU" ali no meio - vai expropriar e fuzilar todos os patrões e iniciar uma campanha para acabar com a fome sem comida.

O Crivella precisa melhorar um pouco o pitch, porque consegue levar 2 segundos para falar uma consoante e uns 3 e meio para falar uma vogal. Nem imagino como seria assistir uma aula dele sobre fenomenologia. Quando termina a frase, já esqueci o que dizia no início, o que para o ex-ministro da Pesca nem é ruim, já que como candidato e político ele é um verdadeiro pavor.


No fim percebemos que o eleitor carioca e fluminense é, antes de tudo, um corajoso, porque se urna eletrônica fosse computador, a do Rio de Janeiro estaria cheia de vírus.



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