segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Depois do "beijo gay" na novela, ainda vão querer assistir o "beijo gay" numa igreja

Quando digo isso, muitos, com razão até, me acham exagerado. Mas a observação dos movimentos reivindicatórios na nossa sociedade me deixou assim, e infelizmente muitas vezes meus exageros se mostram até tímidos.

Um sujeito chamado Ricky Gervais - calma, já pesquisei no Google e vi que se trata de gente famosa e importante, mas que eu, humildemente, era feliz em ser mantido na ignorância a seu respeito - disse que o "casamento gay" não é um privilégio, que privilégios são as "isenções fiscais" que as igrejas recebem. Basicamente o sujeito se esqueceu das inúmeras obras sociais que justificam isso e defendeu a tese que gays devem "casar" porque igrejas não pagam impostos.

Algo como "menores que cometem crimes graves não devem ser punidos porque a classe média passa cheque sem fundo". Mas me perdi, voltemos.

Quando digo que sou contra o "casamento" gay, não quero dizer que seja contra as pessoas se unirem e desfrutarem dos direitos inerentes a este. Meu problema é com o termo, nada mais. Até 1580, todo casamento era religioso, pois antes disso nem existia o tal casamento civil. Mas vou adiante: nossa sociedade, majoritariamente cristã (e não há como negar tal fato), associa "casamento" à religião.

Mas nem por isso acho que as pessoas devem ter seus direitos negados, afinal vivemos num Estado laico (diferente de Estado anti-religião, que fique bem claro) e assim todo cidadão que está em pleno gozo de seus direitos constitucionais deve receber por parte deste Estado tratamento igualitário.

Por "tratamento igualitário" falo de compartilhar bens, pensões, deixar herança, colocar o outro como dependente em planos de saúde, mudar o sobrenome, tudo. E realmente acredito que para tal coisa acontecer não existe a necessidade expressa de se chamar "casamento", uma palavra cheia de significado que extrapola o caráter civil e entra, sim, no religioso.

Digo mais, me espanta muito a exigência que a "militância gay" faz do uso do termo, porque sugere mais uma dessas "reprogramações" que "progressistas" vivem querendo fazer com a sociedade: "vamos ensinar a esses papas-hóstia e crentelhos que eles vão nos engolir".

Amigo, ninguém tem que engolir ninguém, e esse tipo de enfrentamento direto pode até parecer que favorece uma minoria organizada e instalada em certos postos-chave (já ouvi de alguém ligado ao ramo de eventos que não pode dizer que vota no Bolsonaro - e vota - porque a maioria das pessoas com as quais faz negócio são gays e isso poderia prejudicá-lo profissionalmente), mas na verdade prejudica, porque a maioria, eventualmente, resolve reagir. Quer a prova? Esse ano para um Jean Wyllys e uma Erika Kokay que serão reeleitos, uns 10 novos Marcos Felicianos chegarão à Câmara.

Se a questão principal é a manutenção de direitos - e isto deve mesmo ocorrer - que se chame tudo de união civil e o casamento passe a só existir no religioso. Quem quiser "casar" que funde sua igreja, ninguém tem medo de concorrência.

Mas exigir o uso do termo como vem acontecendo me faz pensar que o próximo passo pode ser enquadrar como "crime" um sacerdote que se recuse a "casar" duas pessoas do mesmo sexo, e amanhã uma cerimônia qualquer ser interrompida aos berros por alguma passeata que "exige" que a igreja tal ou tal realize "casamentos igualitários".

O caso que ocorreu nos Estados Unidos recentemente, quando um casal que alugava sua casa ÀS VEZES para festas se dispôs a alugar para duas mulheres fazerem sua festa de "casamento" ali, desde que não houvesse cerimônia no local, e por isso foram PROCESSADOS e MULTADOS - como se fossem obrigados a franquear sua residência para algo com o qual não concordam - é a prova de que a "militância gay" não vai parar por aí.

Do "beijo gay" na novela ao "beijo gay" no altar existe uma distância bem menor do que você imagina.

Link da notícia sobre o caso nos Estados Unidos, relatado pelo sempre excelente Alexandre Borges: https://www.facebook.com/AlexandreBorrges/photos/a.542916875766128.1073741828.542868939104255/741540755903738/?type=1



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