quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Não ofendam o macaco e nem a aranha

Torcedores chamam jogadores de "aranha" ao invés de "macaco" no Canindé.

É isso o que acontece quando justas reivindicações, que são os direitos iguais independente da cor da pele, vira um mimimi coitadista, que vira uma interdição de termos e palavras, que vira patrulha, que vira demagogia racial, que vira exagero, que causa o efeito rebote.

Dizer que houve e há racismo no Brasil não é repetir isso ad nauseam, instilar ódio e ressentimento racial, permitir "ONGs de empresários negros" e a defesa livre de "casamentos afro-centrados" e cotas raciais malandras enquanto se diz ao resto: aceite, você é um opressor.

Quando uma torcedora, no calor de um jogo, é tratada pior do que um assaltante (o coitadinho oprimido da nação) porque chamou - junto com outros 200 - um jogador de "macaco", tem sua casa apedrejada, incendiada e precisa ir à TV aos prantos se chicotear para o deleite dos guerreiros da raça, isso manda uma mensagem: é NÓS contra ELES, e muita gente deixa de se identificar com a justa luta contra o racismo porque enxerga que ela se tornou veículo da intolerância dos tolerantes e da ira insana dos donos do "bem".

Aí a criatividade faz isso. Não pode "macaco"? Chamamos de "aranha". Não pode "aranha"? Chamamos de "pombinha branca". O que farão? Proibirão palavra por palavra até queimarem o Houaiss em praça pública?

A falta de proporção e de noção origina isso. Olho por olho e todos terminam sem enxergar. Macaco por macaco e todo mundo vai cair do galho, de bunda no chão.
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