sábado, 27 de setembro de 2014

Quatro anos depois, o Canecão é um monumento à ineficiência do Estado

Em 2010 a histórica casa de shows Canecão, no Rio de Janeiro, foi reestatizada depois de batalha judicial entre seus proprietários e a UFRJ. 

A reitoria da universidade, seus professores, alunos, sindicalistas e demais piolhos estatistas em geral achavam um ABSURDO que uma área pública fosse alugada a um - ohhhh! - empresário, para que este - ohhhh! - lucrasse com uma casa de shows.

Não entro aqui no mérito do valor do aluguel ser adequado ou não, ou do empresário estar inadimplente ou não, todos esses são problemas que podem realmente existir e que são resolvidos facilmente pelas leis do mercado: reajuste-se o preço, despeje-se o caloteiro, façam nova concorrência, aluguem novamente para outro empresário e pronto, assunto encerrado.

Mas como nada é tão simples assim, ainda mais nesses antros de ineficiência administrada por reuniões de conselho como são as universidades públicas, a área onde funcionava o Canecão foi tomada dos "entreguistas" e "privateiros" e "recuperada para o povo".

Segundo a UFRJ o Canecão seria usado como espaço cultural, provavelmente para shows de gente batendo em latas e exposições de "arte conceitual" ao invés de "shows comerciais". Já seria ruim o bastante, mas nem isso, nem isso.

Para quem esperava longas e intermináveis apresentações de jongo ou saraus com gente recitando poesia que ninguém entende, a decepção não poderia ser maior: o espaço ficou abandonado mesmo.

Fora algumas "ocupações" onde gente ficou ali acampada brincando de revolucionário, o uso do local ficou restrito a depósito de carteiras velhas.

Já em 2011 eu falava do absurdo que é a situação da ex-casa de shows, onde algo para não ser entregue à iniciativa privada é transformado num terreno baldio. Sempre que passo ali na frente fico horrorizado como o esquerdismo é algo debilitante, destruidor, nefasto. Em nome de um princípio ideológico tosco - "se é privado, é ruim" - shows deram lugar a carteiras escolares velhas empilhadas em um prédio abandonado.

Desde 2010 o prédio espera os "consensos" dos "colegiados", segundo a própria UFRJ informa, para saber o que será feito dele. Enquanto isso, um terreno numa área nobre na Zona Sul do Rio de Janeiro fica como monumento em memória ao mal que o estatismo representa.

O Canecão agora é "público", com certeza, mas não é nem "gratuito", já que é o erário público que paga as taxas e a manutenção ruim de um espaço que não é usado, e muito menos "de qualidade", a menos que você seja uma das ratazanas ou baratas que agora vivem no imóvel.

Parabéns, esquerda! Parabéns, UFRJ! Parabéns, estatistas!

Link da notícia: http://cbn.globoradio.globo.com/rio-de-janeiro/2014/09/17/CANECAO-VIRA-DEPOSITO-DE-CARTEIRAS-DA-UFRJ-APOS-QUATRO-ANOS-FECHADO.htm

Texto meu de 2011, republicado em 2013, falando sobre o assunto:http://www.marcusviniciusmotta.com/2013/12/a-estatizacao-do-canecao-verdadeiro.html



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