sexta-feira, 17 de outubro de 2014

A bolinha de papel da Dilma

Não queria entrar nessa (mentira, queria sim), mas como o PT já começou o processo de vitimização da Dilma por conta da surra moral que levou no debate do SBT, preciso me enfiar nesse charco para remover antigas carcaças que o lulopetismo espertamente deseja manter no esquecimento.

Em 2010 o então candidato a presidente José Serra fazia uma caminhada por um bairro do Rio de Janeiro. Brucutus do PT pagos por um sindicato e ligados a um sujeito suspeito de ser miliciano foram para o caminho e decretaram: aqui não passa.

O pau quebrou, lojas fecharam as portas correndo e alguém arremessou um objeto em cima do candidato, acertando sua cabeça. Serra interrompeu a campanha naquele dia, foi até um hospital fazer curativos e a dúvida que restou foi se o tal objeto era uma pedra, um rolo de fita adesiva desses cheios de propagandas de candidatos, uma garrafa, etc.

Os petistas na imprensa, nos blogs sujos, nas repartições e estatais começaram a espalhar que era uma "bolinha de papel" e que Serra simulou o ato. Canalhamente como sói a ambos, Lula e Dilma permitiram que a baixeza prosseguisse, ignorando os brucutus, a confusão e a violência que é impedir um candidato e seus apoiadores de andarem pelas ruas do país. O tema virou a tal "bolinha de papel", a agressão foi esquecida e a narrativa invertida: a vítima passou a ser o vilão, que "simulou uma contusão".

Debocharam, ironizaram e no fim o esgoto venceu, levando esta nulidade que não pronuncia uma frase com começo, meio e fim à presidência.

Isso é o PT. Não adianta reclamar.

Mas esse ano algo semelhante aconteceu. Desde o início da propaganda gratuita no segundo turno a campanha de Dilma Rousseff transforma esta na eleição mais suja da história do Brasil. Nem vamos mencionar tudo que fez com Marina Silva, apenas lembrar que sua reputação foi assassinada, suas palavras distorcidas e quando ela chorou de desgosto, Dilma ainda ironizou: quem não aguenta pressão não pode ser presidente.

Ataques à vida pessoal, à família, mentiras, calúnias, difamações. Até acusações de agressão a mulheres e, pasme, tráfico de drogas já foram feitas contra o adversário do partido.

Tanto que Dilma foi ao debate do SBT pronta para tirar do porta-luvas da sua vassoura uma acusação de nepotismo contra a irmã de Aécio Neves e outra de "dirigir bêbado", logo ela, poste de um sujeito conhecido pelo abuso da mesma substância.

Levou dois petardos na cabeça tão fortes - seu irmão Igor Rousseff, acochambrado na prefeitura de Belo Horizonte e sua incapacidade de admitir erros enquanto promove uma campanha imunda - que perdeu o prumo, esqueceu a decoreba e foi trucidada.

Ao final do debate, dando uma entrevista, sua incapacidade de elaborar pensamentos estava a toda. Não dizia coisa com coisa. Tentou "regravar" uma entrevista ao vivo e, tartamudeando, deixou a repórter preocupada:

- A senhora está bem, presidente?

- ...

- A senhora está passando mal?

- Estou bem, é, é, estou passando mal.

Note que a primeira resposta foi "estou bem" para em seguida, aproveitando a deixa com seu lag mental característico, dizer "estou passando mal". A médica da presidência não estava presente e ela foi socorrida, veja você, pelo MARQUETEIRO. Nada mais emblemático. O resto está no YouTube e na história.

Já pensando em reverter a narrativa da surra tomada, o marqueteiro do PT deu o salve para a cachorrada nas redes sociais: um valentão foi tão grosseiro com uma senhora que ela até passou mal. Todos os esbirros do lulopetismo começaram a bater nesse tambor, até o líder da seita já falou do assunto, como sempre aos berros, no alto de um palanque.

A ordem é: abortar operação "coração valente" agora é hora da chapeuzinho vermelho. Só que a chapeuzinho começou os ataques, sua campanha imunda na TV prova isso e sua postura agressiva nos debates, insinuando que o adversário é usuário de drogas e agressor de mulheres, tira a credibilidade da versão "senhorinha indefesa".

Mas o melhor não é isso. O PT, que achava que ia transformar essa pedrada em bolinha de papel de novo foi pego de surpresa pelas redes sociais. Percebendo o "migué", memês e piadas começaram a surgir acusando Dilma de fingir um desmaio para camuflar o nocaute que sofreu.

Vemos petistas na defensiva, jurando que é verdade, mas a narrativa está indo pro brejo. E pode ir ainda mais, só depende da campanha e da militância tucanas não deixarem a oportunidade passar.

A conclusão que chego é que se o PT ainda não perdeu totalmente a capacidade de dominar a narrativa, esse poder hoje é muito menor. O desmaio fake da Dilma já virou chacota. É castigo pela "bolinha de papel".

Mas o castigo de verdade é o eleitor que tem que dar no dia 26.




0 Comentários