terça-feira, 14 de outubro de 2014

Ame mais o humano, deixe a humanidade pra lá

Hoje descobri que sou uma pessoa ruim porque não quero que o ebola se espalhe pelo mundo. Sou uma pessoa ruim porque não acho certo que um inocente na Croácia seja contaminado por uma doença que mata um inocente na Guiné. 

Vou dizer algo aqui que pode soar estranho: quem diz que ama demais a todo mundo, no fundo não ama ninguém. Calma, não se assuste ainda, porque vou além: há muita maldade no excesso de bondade. Digo isso e já explico: é perfeitamente normal que você sinta compaixão pelas vítimas do ebola na África. Até os gárgulas de Notre-Dame sentem. Mas não é normal que, em nome dessa compaixão, você ache que o resto do mundo precise ser infectado essa doença.

Hoje li algo que me deixou estarrecido. Minto e já me corrijo, não me deixou estarrecido, porque de certas linhas de pensamento eu espero tudo, fiquei mesmo foi desolado ao descobrir que o bonzinho capaz das piores maldades é mesmo capaz de tudo.

A litania começava por onde você já pode imaginar: que defender o fechamento das fronteiras à pessoas provenientes de regiões infectadas pelo ebola é racismo. Mas ia além, dizendo que era preferível "um mundo dizimado pelo excesso de humanidade (nota minha: e pelo ebola) do que pela falta dela".

A lógica é a seguinte: para provar que não somos racistas, etnocêntricos ou malvadões, devemos permitir que pessoas de áreas infectadas circulem pelo mundo e, caso aconteça, arcar com uma epidemia global porque isso é o certo, o bom, o belo a se fazer. Mais amor, por favor, abrace o ebola.

Não vou entrar no cipoal que são as causas do descontrole da doença na África (hábitos atrasados, recusa em tomar medidas de contenção, etc.), nem as causas do atraso do continente (que nem de longe é apenas culpa do "branco-estadunidense-europeu-explorador). Quero ficar apenas no absurdo que é não tomar as medidas cabíveis em nome - sim, e pode espernear à vontade - do politicamente correto.

Até, veja você, de RACISMO são acusadas as pessoas que não desejam ver uma epidemia global. Num artigo cretino, Eliane Brum diz que o problema é "o preto" e que só agora a doença incomoda porque "saiu de onde deveria estar". Reduz-se uma doença mortal a caso de "racismo e xenofobia", a panaceia do politicamente correto, para dizer mais ou menos o seguinte: a reparação que "o branco" deve é uma reparação "à morte".

Che, o ídolo dos humanistas de galinheiro, não poderia pensar em algo melhor (ou pior).

Como bem lembrou um leitor meu, desde 11 de setembro de 1978 a varíola é considerada extinta. Só o foi porque o homem conseguiu desenvolver uma vacina (o próprio nome "vacina" é advindo do vírus vaccinia que injetado no organismo humano proporciona imunidade à varíola), aplicou-a em escala global e assim se viu livre daquela terrível doença.

O ebola, outro vírus, não tem até o momento nenhuma prevenção ou tratamento específico. Socialistas das bananas dizem que isso se dá por ser considerado "doença de país pobre", como se o risco de um contágio global já não fosse estímulo suficiente para buscar sua cura.

O único tratamento que existe é paliativo e de espera, até que o organismo do paciente reaja (algo difícil, já que a taxa de mortalidade é alta) e a única prevenção que existe é a contenção de sua expansão, que o politicamente correto e o coitadismo não querem de jeito nenhum.

Com isso a doença já chegou nos Estados Unidos, na Espanha e a histeria coletiva mostrará à turma da "humanidade" que detesta humanos como é feio o medo justificado. Toda compaixão tende a sumir quando pessoas começam a sangrar até a morte porque imbecis não fizeram o que deveria ser feito, que é colocar toda a região infectada sob quarentena e toque de recolher até que a epidemia seja controlada.

Os judeus dizem que aquele que salva uma vida, salva o mundo inteiro. O grande mestre Nelson Rodrigues dizia que é fácil amar a humanidade, difícil é amar o ser humano. Ambas as afirmações não se conflitam, pelo contrário, se reafirmam. Nem um cidadão japonês ou russo merece morrer de ebola só porque "amar a humanidade" significa permitir que esta doença se espalhe.

Preferir que o mundo "seja dizimado por excesso de humanidade" é dizer que prefere que o ser humano pereça em nome de uma idéia abstrata de humanidade que é contra a essência da humanidade em si, que é viver, ser feliz e se perpetuar.

Desejo que o menor número de pessoas possível possa ser vitimada por esta doença, que todos recebam tratamento adequado em seus países com a ajuda do resto do mundo e fiquem bons e que a cura e a imunização cheguem logo, pelo menos para o ebola, porque a estupidez é incurável e, como se nota, mais mortal do que qualquer doença.

Link de um artigo sobre o assunto devidamente encurtado com um encurtador de chorume: http://naofo.de/1lfa



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