quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Acabar com amizade por causa de eleição pode SIM


Coxinhas versus petralhas foi, talvez, a maior batalha do ano, quiçá desta década. Fomentada pela divisão do país tão necessária aos planos eleitorais do PT, a briga dominou a internet e chegou às ruas, onde militantes e eleitores azuis e vermelhos saíram literalmente no tapa. 

Como bons brasileiros que são, os engajados na política agiram como se tudo não passasse de uma rivalidade futebolística e se comportaram como se a ida às urnas fosse uma ida ao estádio, ou seja, berraram palavrões, trocaram socos e teve até eleitor pensando que urna era arquibancada e botando fogo na dita cuja. Fazer o quê? Futebol no Brasil é assim e pelo visto eleição também.

Uns, cansados de 12 anos de cinismo, outros, agarrados à uma utopia, à um sonho que acabou no século passado ou então ao cargo comissionado que garante dinheiro sem precisar trabalhar. No meio, como já disse várias vezes, o pobre coitado que ficou com medo de morrer de fome caso o PT perdesse, já que foi ameaçado disso pelo partido.

E assim chego onde queria: na campanha eleitoral mais suja da história do país. Adversários foram triturados com mentiras e calúnias, apelidadas eufemisticamente de "desconstruções". Parcelas da sociedade - a tal elite, a burguesia ou os brancos nazistas descendentes de Herodes - foram demonizadas. O ódio foi o prato principal servido por quem agora, depois de vencer a eleição, quer apreciar um tal "diálogo" como sobremesa.

Claro que tal virulência atingiu as pessoas e escorreu para suas relações pessoais. Familiares e amigos bateram boca, gente parou de falar uma com a outra e amizades antigas foram abaladas. Eu mesmo excluí vários do meu perfil pessoal em redes sociais, como um sujeito que vive de mesada mas berra em nome dos "trabalhadores" e uma cretina que comemorava a vitória de Dilma II diretamente de Miami.

Mas, sinceramente, não vejo problema algum nisso. Amizades são escolhas. Você pode se relacionar com gente que torce pelo mesmo time ou times diferentes, que curtam rock, samba e forró, que morem em outros estados, enfim, são múltiplas escolhas que determinam seu círculo social e é lícito que, ainda que tenha mil e uma convergências com alguém, você simplesmente opte por não se relacionar com gente que exibe comportamentos que você despreza.

Direita e esquerda é normal, tucano e petista também, ninguém precisa andar por aí só com quem pensa exatamente igual, mas não estamos falando de divergências de opinião, mas de um abismo de valores. O João Santana ganhou muito bem para promover aquele tsunami de chorume, seu coleguinha do Facebook estava espalhando aquilo de graça, porque quis.

Um site chegou a ser criado para fazer a reconciliação de coxinhas e petralhas. Sei que é uma brincadeira, lógico, mas muita gente andou por aí seriamente preocupada com "amizades que se desfizeram por causa de eleição". Não, amigos, não foi "por causa de eleição", foi por causa do tipo de gente que acabou se revelando durante ela.

Porque, pense bem, passada a eleição você não precisa mais achar que espalhar mentiras é canalhice? Reforma política bolivariana, conselhos populares, censura, aparelhamento, 16 anos de PT, 10 de 11 ministros do STF se comportando como Barrosos, mas o importante mesmo é não perder amizades no Facebook?

Então alguém fica por aí deliberadamente dizendo que o candidato da oposição é usuário de drogas, bate em mulher e quer acabar com benefícios sociais sabendo que isso é mentira e você tem que ficar preocupado se vão continuar trocando gifs animados por email?

Sinceramente, alguém que ajudava a espalhar calúnias durante a eleição é capaz de tudo, tipo pegar emprestado e não pagar ou passar a mão na bunda da sua namorada. 


No fundo você não perdeu uma amizade, mas se livrou de um problema. Agradeça à eleição por isso.
0 Comentários