domingo, 26 de outubro de 2014

Façamos história


Há mais ou menos 30 anos eu era uma criança que já acompanhava o que acontecia na política do seu país. Nascido no auge do regime militar, fiquei fascinado quando em 1982 vi a primeira eleição direta para governador da minha vida.

Me encantou saber que as pessoas podiam ir numa urna, depositar um nome e assim escolher quem "apareceria na TV fazendo pronunciamentos" e decidindo os rumos do governo. Eleição direta naquele tempo era luxo, talvez por isso até hoje, por mais decepcionado que fique com o que acontece, não consiga enxergar o exercício do voto com o desdém dos que dizem que "é tudo igual", que "isso não adianta nada" ou que simplesmente anulam sua escolha.

Digo isso porque dois anos depois, em 1984, fiquei ainda mais impressionado com a campanha das diretas. Milhões nas ruas, homens, mulheres e crianças exigindo o seu direito de votar para presidente.

Lembro ainda que não acreditei quando soube que uma dessas "bases aliadas" no Congresso votou contra o direito do povo de votar, mas me enchi de esperança ao ver Ulysses, Covas e tantos outros avisarem: a luta continua. Era um aviso ao regime: um novo dia irá chegar.

E foi num dia de janeiro de 1985 que acompanhei grudado na TV varios parlamentares indo ao microfone do plenário e dizendo, entre pequenos discursos e exaltações, que votava em Tancredo de Almeida Neves para presidente do Brasil.

Já eleito, disse entre palavras de esperança: não vamos nos dispersar.

Quis o destino que meses depois eu chorasse, junto com o país inteiro, a sua morte.

Entre caos, inflação, a primeira eleição direta para presidente, impeachment, Plano Real, eleição de Lula, mensalão, eleição de um poste e a campanha mais suja da história, o Brasil avançou, retrocedeu, conquistou várias coisas, perdeu várias outras, e um neto de Tancredo chega, neste ano de 2014, muito próximo de cumprir o sonho do avô: unir e curar o país das feridas que o autoritarismo impõe.

Se ainda possuímos instituições democráticas, é porque o aparelhamento observado no STF e no TSE, onde ex-advogados do PT não se esforçam para demonstrar que são mais "ex" do que "advogados" ainda não está completo, mas em quatro anos pode estar.

E o aparelhamento em institutos como IPEA e IBGE, em estatais como a Petrobras, os Correios, Furnas, Itaipu, Eletrobras. E o aparelhamento nas agências reguladoras e até em nosso outrora respeitado corpo diplomático.

A depredação da sede de uma revista, as ameaças à família de Aécio Neves, a agressividade de seus braços organizados na sociedade, tudo isso mostra que essa longa noite de 12 anos pode se transformar em algo pior. No que depender do PT, irá.

O voto pela alternância de poder hoje é um voto pela liberdade, pela garantia das bases de nossa democracia, pela manutenção da confiança nas instituições, pelo futuro de nossas crianças.

E assim como há 30 anos, o desrespeito ao direito do eleitor escolher livre de pressões e chantagens pode terminar pelas mãos de outro Neves, o neto de Tancredo, que não era unanimidade entre todos, mas que uniu o Brasil em torno da certeza: Tancredo representa a nossa liberdade e liberdade não se negocia.

Aécio hoje reuniu em torno de si Marina Silva, Eduardo Jorge, a família de Eduardo Campos, políticos de todos os matizes e partidos que entenderam que a liberdade é mais importante que tudo.

Que hoje o Brasil vote pela liberdade, sem controles sociais, sem nós e eles, sem a política do ressentimento e da roubalheira que tão mal nos fez.

Que amanhã nossas crianças possam lembrar de nós com o mesmo orgulho que lembramos daqueles que, junto com Tancredo, lutaram e garantiram a nossa liberdade.

Que Deus abençoe o Brasil.
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