segunda-feira, 20 de outubro de 2014

O Pereira Passos de bloco de sujo

O prefeito Eduardo Paes, esse monumento de ética e competência que conseguiu perder (e até hoje não encontrar) vigas de aço de 20 toneladas que sumiram de um viaduto, é um cabo eleitoral dedicado de Dilma Rousseff.

Depois de virar inimigo número um do macunaíma-em-chefe devido a sua atuação na CPI dos Correios, quando ajudou a desbaratar um bom pedaço do bando petista que assalta o país há 12 anos, o atual alcaide do Rio de Janeiro finalmente se rendeu ao clube dos cafajestes e virou amigão da companheirada.

Certo de que o estrondoso sucesso da olimpíada mais mal organizada da história pode levá-lo até à presidência, Eduardo Paes  desfila por aí como eleitor de luxo, ainda que o carioca tenha ignorado suas ordens e dado à Aécio Neves e Marina Silva uma soma de votos bem superior àquela dada para a assombração que ocupa a presidência.

Mas como disse no parágrafo anterior, Eduardo Paes acredita ser uma espécie de reencarnação de Pereira Passos, o prefeito que mudou a cara do Rio de Janeiro, e tem certeza de que tanto o morador da cidade quanto o turista que for para a olimpíada nem vai perceber a diferença entre faixas exclusivas para ônibus pintadas no asfalto - sua idéia de gênio para o transporte de massas no Rio - e um metrô decente como o de outras cidades olímpicas.

Fora as obras superfaturadas e atrasadas, há por toda a cidade soluções que fariam inveja a qualquer arquiteto de puxadinho. E como se não bastasse, ainda tem as águas da Baía imundas, a Enseada de Botafogo com sofás disputando espaço com velejadores, moleques de rua espalhados por todo canto, lixo no chão, péssimos serviços e preços estratosféricos. Calma, porque a "cidade maravilhosa" administrada pelo Pereira Passos de bloco de sujo tem outras atrações a mostrar.

Tem o corre-corre surpresa nas praias quando acontece algum arrastão, tem o caça-ponto-de-ônibus para descobrir qual linha para em qual ponto (já que agora a cidade, certamente para conforto do cidadão, instalou pontos alternados a algumas centenas de metros um do outro, com o intuito de disfarçar os congestionamentos). Tem também o salto-sobre-o-lixo nas calçadas, além do duas-pessoas-em-uma no metrô sempre lotado e ruim.

E semana passada o Jornal Extra mostrou mais uma das maravilhas do Rio: na piscina da Vila Olímpica Félix Mielli Venerando, inaugurada em 2012 bandidos da região resolveram usar o lugar como seu clube. Vão para o aparelho olímpico tomar banho, dar umas braçadas e levam até os seus fuzis para se refrescar.

Se ainda não inventaram o "nado estilo fora da lei" ou o "tiro ao alvo submarino", a cidade maravilhosa de Eduardo Paes acabou de inventar.

Pena que "passar raiva" e "sentir vergonha" também não sejam modalidades olímpicas, senão o Brasil já teria o seu lugar garantido no topo do quadro de medalhas.



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