sexta-feira, 24 de outubro de 2014

O PT e as FARC

Se por um acaso me acusarem, sei lá, de fazer parte de um grupo que tenta revogar a lei da gravidade ou então de ser favorável à disseminação da tuberculose, eu vou onde for possível e onde houver quem me escute e direi: sou totalmente favorável a gravidade e juro que eu quero que o bacilo de Koch se exploda e que não tenho nada a ver com ele!

Pode ser que algumas pessoas - que já não vão com a minha cara - não acreditem e continuem pensando que eu desejo ver elefantes voando e o mundo habitado por tísicos, mas só o farão porque assim o querem, pois eu não terei me calado e, conseqüentemente, consentido com o rumor maldoso.

E é justamente por isso que eu me incomodo com a postura do PT e de suas lideranças - incluindo aí sua presidentA - em relação às "acusações" de que eles mantém ligações com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, aquele agrupamento de narco-terroristas que seqüestram, matam e praticam outros crimes sob a proteção da imensidão amazônica.

Desde que - e lá se vão quatro anos - o deputado Índio da Costa disse que o PT mantém ligações com as FARC, já vi os mais variados dirigentes, líderes e estafetas do lulopetismo reclamando de baixaria, dizendo que não vão descer a este nível, denunciando manobras eleitoreiras, enfim, fazendo toda sorte de atitudes histriônicas de quem se acha "injustiçado", menos a única atitude que alguém nessa posição tomaria de imediato: negar veementemente a acusação.

E não faz porque não pode.

O PT é um dos fundadores do Foro de São Paulo, entidade da qual as FARC fazem parte. Lula já sugeriu que as FARC abandonassem a luta armada e aderissem à luta política, já ofereceu o território brasileiro para "negociações" entre os narco-guerrilheiros e o governo constitucional colombiano, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil se nega a condenar as ações do grupo.

Dilma Rousseff, quando era ministra da Casa Civil, requisitou a mulher de Olivério Medina, representante das FARC no Brasil, para trabalhar no Ministério da Pesca. A Revista Cambio, da Colômbia, publicou uma série de e-mails que estavam no computador do terrorista Raul Reyes, morto em 2008 por forças colombianas no Equador, listando aqueles que seriam “os amigos” das FARC no Brasil, entre eles José Dirceu, Gilberto Carvalho, Celso Amorim, Marco Aurélio Garcia e Paulo Vannuchi, aquele dos "direitos humanos". Esta mesma ação do governo colombiano que matou Reyes, foi veementemente condenada pelo governo brasileiro na ocasião.

Enfim, reportagens e farta documentação sobre a ligação do PT com as FARC são públicas e notórias, porque então seus líderes fingem que tudo não passa de "teoria de conspiração"? Porque não esclarecem isso logo?

Seria tão simples o PT emitir um comunicado claro, direto, dizendo o seguinte: renunciamos e renegamos qualquer ligação com as FARC, repudiamos os atos terroristas daquele grupo e negamos qualquer tipo de relação com a guerrilha.

Por que não fazem isso? Porque desta forma iriam contra a sua lei da gravidade particular, aquela em que tudo fica de ponta a cabeça e a vítima passa a ser a ré, crimes são cometidos "pelo bem do país" e a negação repetida mil vezes termina por prevalecer sobre a verdade.

O PT não gosta de nada muito claro, é nas sombras que o partido está em seu habitat. Não por outra razão suas relações com o Congresso volta e meia param nas páginas policiais, até hoje o assassinato de Celso Daniel é um mistério e as contas do dinheiro do pagador de impostos brasileiro que esbanja em Cuba são classificadas como "secretas".

Renegar as FARC seria renevar o Foro de São Paulo. Renegar o Foro de São Paulo e seus planos, seria renegar a si mesmo.

Por isso desconfio que se alguém um dia acusar o PT de ser favorável a tuberculose, como ironizei no início deste testo, o partido não vai simplesmente dizer que sim ou não, mas acusar o micróbio de ser da "imprensa golpista" ou então tucano a serviço da elite.



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