quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Golpismo é se achar acima da lei


Impeachment e intervenção militar são dois dispositivos legais que estão previstos na Constituição. Para o primeiro existem fortes indícios de que haverá razão de pedir, para o segundo não. Nem de longe.

Por isso quem pede intervenção militar é, sim, golpista. Não estamos vivendo distúrbios civis, estado de anomia, muito menos tensões sociais e políticas que justifiquem isso. Capangas venezuelanos entrando no Brasil armados para dar cursos sabe-se lá de que para o MST, por exemplo, é caso de polícia, prendam-se todos, não de derrubada do governo por uma quartelada.

Resolvido isso, digo que pedir golpe militar é fazer o serviço sujo do PT e vou além: não afirmaria com certeza se não são agentes do petismo infiltrados a fazer isso para desqualificar a grande maioria que pede somente o seguinte: que a lei seja cumprida.

A histeria dos petralhas só mostra uma coisa, que eles sabem que no petrolão há material para impeachment e que seu governo conquistado na base da campanha eleitoral suja pode cair. Por isso eles tentarão, como sempre, dominar a narrativa e tachar todos os defensores de investigações sérias e consequências duras como "golpistas".

Lugar de corrupto e liberticida é na cadeia e não em palácios. E golpista é quem se acha acima da lei.

Golpista é quem pensa que companheiro condenado pelo STF é herói nacional ou que ladrão que assaltava a Petrobras, seja quem for e qual cargo ocupe, pode ser purgado pelas urnas. Urna não é tribunal e vitória numa eleição não é sentença. Assim diz a lei.

Mas chega a ser incrível como vivemos num país cheio de palermas de um lado e covardes do outro. Os petistas mentem e a mentira pega porque ninguém enfrenta. Assim a narrativa "fraude-corrupção-impeachment" está sendo engolfada pela mentira "golpe-volta-da-ditadura". Cabe ao Brasil que presta dizer que não, que golpe e ditadura é manter um governo ilegítimo caso este se mostre violador da lei e da Constituição.

Se as denúncias de Alberto Youssef forem confirmadas, Dilma Rousseff não terá condições morais e nem legais de continuar na presidência. Ponto. Não é assunto para debate, é fato.

E se o petrolão concluir que houve crime de responsabilidade cometido por Lula e Dilma (e pode acontecer isso)? Vão deixar eles aí por medo do PT chamar de "golpe"?

O problema é 10 mil, 20 mil ou "cerca de" mil irem às ruas pedir eleições limpas e impeachment de um governo que pode ser provado corrupto, e o assunto da tal "mídia" que os petistas tanto falam mal ser meia dúzia de bobalhões que pediam golpe.

Nos próximos protestos anti-PT convém tratar qualquer um portando um cartaz pedindo golpe militar como se fosse um petralha carregando uma bandeira vermelha, o que, no fundo, é.

O que se pede nas ruas por milhares de pessoas é mais democracia, mais transparência, liberdade de imprensa, eleições limpas, afinal, uma auditoria nas eleições apenas confirmaria a lisura do processo. Se é assim, por que o PT é contra eleições limpas?

Vivemos no país do voto virtual, sem comprovante impresso que permita uma recontagem e onde as autoridades tratam uma auditoria perfeitamente legal como crime de lesa-majestade, quer dizer, então o cidadão é obrigado a acreditar na "palavra" deles? Não, não é.

A pauta é simples: investigação do petrolão, punição de todos os culpados, eleições com toda a transparência que a democracia exige e liberdade total de imprensa, opinião e oposição. O resto é bobagem e pauta para petista desqualificar 50 milhões de pessoas que os rejeitaram nas urnas chamando-as de "racistas, homofóbicas, machistas" e o resto dos adjetivos toscos que eles estão acostumados a berrar quando falta razão, ou seja, sempre.

Finalizo apenas com uma lembrança aos desavisados: quem acha que o neto de Tancredo iria apoiar quem pede golpe militar conhece tanto de política quanto o Lula de literatura.
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