segunda-feira, 17 de novembro de 2014

O chicotaço eleitoral


O PT não gosta de democracias atrasadas e burguesas como a americana ou as européias. O modelo de "liberdade" que agrada à companheirada está mais para aquele praticado na Venezuela ou na Bolívia, onde caricaturas governam o país sem prazo de validade.

Em outubro alguns veículos de imprensa deram uma notícia que em meio ao fuzuê eleitoral passou despercebida, mas que é digna de nota: em algumas comunidades do altiplano boliviano, eleitores foram às urnas votar em Evo Morales e suas lhamas amestradas debaixo de chicote.

Isso mesmo, segundo o deputado Luis Gallego, do "Movimento ao Socialismo (MAS), partido do Zacarias cocaleiro, "o chicotaço será em nível nacional, não só no norte de Potosí. Votaremos em linha (num só partido) por sermos leais, e não traidores". E para não parecer o feitor de escravos sádico e psicopata que é, o deputado disse que a decisão de impor castigos físicos a eleitores traidores não é sua, mas de "organizações sociais que agem de acordo com usos e costumes".

Como se nota, nada mais legítimo do que um mandato conquistado debaixo de peia. Não é a toa que petistas de diversos tons de marrom comemoraram efusivamente a vitória do Lhama de Franja para mais um mandato na presidência da Bolívia, afinal, é o tipo de democracia avançada que eles defendem, a do "vote em mim senão você entra no cacete".

Uma confederação de trabalhadores camponeses do país reforçou o "controle do voto" (alguma semelhança com "controle da mídia"?), dizendo que combateria o voto cruzado, ou seja, o voto para presidente em um partido e para deputados e senadores em outro.

Tal preocupação pode ser explicada pela obsessão que bolivarianos têm em dar um verniz "democrático" às suas práticas autoritárias. Entopem os Congressos de gente eleita na ponta do chicote, na base do assistencialismo ou comprada com mensalões, aparelham supremas cortes e depois aprovam o que bem entendem, sempre com a desculpa de que foi tudo feito "dentro das regras constitucionais".

Assim uma eleição onde um "chicotaço" é praticado é encarada por cretinos e cafajestes como uma eleição livre onde a "vontade da maioria foi respeitada".

Os petralhas, que se pudessem, declarariam ilegal fazer oposição, devem se deleitar ao imaginar poder dar surras de chicote nos infiéis que votam 45.

Não precisariam mais nem das urnas eletrônicas supostamente à prova de fraudes, do João Santana e sua campanha suja e nem do Bolsa Família. Bastaria chamar as turmas da CUT e do MST, distribuir umas chibatas e botar o gado para votar debaixo de relho.

Aí sim, sem coxinhas, tucanos, pessimistas de plantão, golpistas e burgueses insatisfeitos, o Brasil teria uma democracia de verdade igual a Venezuela e a Bolívia.

Link da notícia: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2014/10/1530238-no-altiplano-boliviano-eleitores-irao-as-urnas-sob-ameaca-do-chicotaco.shtml
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