terça-feira, 4 de novembro de 2014

O partido do mensalão agora também é o partido da censura

Desde que venceu a última eleição por uma margem apertada, o que vem ocorrendo sucessivamente a cada quatro anos, o lulopetismo percebeu que pode estar chegando a hora de parar de sugar o dinheiro dos outros. Tal perspectiva, junto com a aterrorizante visão para a turma do partido dos "trabalhadores" de sair do governo e precisar realmente trabalhar de verdade fez com que acelerassem sua guinada bolivariana.

De um lado tentam mudar as regras do jogo eleitoral para embolar tudo, viciar o processo e assim se perpetuar no poder. De outro lado buscam - de novo - seu velho sonho, que é censurar a imprensa sob diversos nomes e razões. Controle social para democratizar a mídia ou torniquete econômico para calar críticos dá no mesmo, o PT não suporta quem pensa diferente e precisa eliminar um por um.

Daí que é com extrema preocupação que observei uma festa nas catacumbas da internet com a notícia de que a presidenta-ta (duas vezes, afinal foi reeleita) determinou que o governo corte todos os anúncios na revista Veja. 

Quando gente que tem certo tipo de idéias como um Emir Sader ou Paulo Henrique Amorim comemoram algo, é porque o país tem todas as razões do mundo para se preocupar. E foi exatamente o que aconteceu. Com a sutileza de hienas no cio, toda a rede petista na internet - grande parte recebedora de dinheiro público através de anúncios de estatais - dizia mais ou menos a mesma coisa: é pouco, tem que cortar da Globo e do resto também.

A mensagem subliminar talvez fosse: é bom que sobra mais para nossos blogs irrelevantes que chamam adversários do PT de "cheiradores bêbados nazistas que baten em mulher".

Mas adiante.

Não sei o que cada brasileiro pensa, mas eu e certamente milhões de outros não ficamos felizes ao saber que a Dilma esteja usando o NOSSO dinheiro para retaliar desafetos DELA ao cancelar anúncios do governo na Veja. 

E tem mais, a revista se tornou desafeta basicamente por quê? Por dizer verdades? Por divulgar fatos de inquéritos que correm na justiça?

Fazer tal coisa é basicamente usar dinheiro público para trazer de volta a CENSURA ao país de forma sub-reptícia. Nem tanto pela Veja, que de 37 anúncios que contei na última edição, nenhum era do governo (a menos que os boatos estejam certos e o anúncio da Friboi conte como do governo), mas de veículos menores e mais dependentes de verbas estatais.

A mensagem é clara: seja sabujo do PT ou então cortamos o dinheiro. Isso promove auto-censura, isso representa coação, achaque, e significa usar o dinheiro do pagador de impostos para perseguir órgãos de imprensa, o que é apenas MAIS um motivo para impeachment.

Aliás, usar verba pública para financiar na internet criaturas menores que se dedicam a caluniar e difamar adversários também é motivo para impeachment.

O PT que gosta tanto de plebiscitos podia fazer um bem abrangente e incluir, entre outras, esta pergunta: você concorda que o governo use o seu dinheiro para financiar o esgoto político que jorra desde a internet? Seria uma boa questão para ficar próxima de outra, sobre o financiamento público de campanha, que poderia ser assim: você quer que usem seu dinheiro para pagar a campanha suja que o PT faz de quatro em quatro anos nas eleições?

Em frente.

Governos estaduais da oposição deveriam compensar perdas de anúncios de veículos que critiquem o governo dentro da lei e exigir em troca apenas uma coisa: pau no PT 24 horas por dia, sete dias por semana, trezentos e sessenta e cinco dias por ano. Não falta material. A oposição controla gordos orçamentos publicitários, use-os para garantir a liberdade de imprensa no país.

Porque ainda que a Veja, por exemplo, possua uma quantidade de assinantes privados que garanta seu faturamento (e possui), quem garante - muita atenção aqui - que este governo imoral não seria capaz de coagir estes anunciantes a retirar sua verba de lá?

O governo federal dispõe de instrumentos de pressão que vão além do dinheiro. Toda hora um blog petista faz insinuações contra esse ou aquele veículo de imprensa usando a Receita Federal, por exemplo. O PT pode muito bem fazer isso contra anunciantes. Lembrem-se da pressão sobre o Santander que culminou com a demissão da analista que simplesmente disse o que todo mundo sabe: a economia sob o governo do PT é um lixo.

De onde fica outra dica aos governos de oposição: será que a Carta Capital e seja lá qual for a empresa do Paulo Henrique Amorim também resistiriam a uma auditoria fiscal estadual? Não sei, mas um pente fino responderia a essa pergunta. Elas estão sediadas em SP? Qual partido governa SP? Preciso dizer mais alguma coisa?

O PT e seus estafetas só poderão ser derrotados se combatidos com suas próprias armas. Não se esgrima em briga de puteiro.

Antes essa gente roubava apenas o seu dinheiro, mas agora quer roubar a sua liberdade. E não se brinca com a liberdade de pensamento, de opinião, de oposição ou de imprensa.
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