sábado, 1 de novembro de 2014

O PT está sentindo o cheiro da fumaça


Senti que os petistas e seus estafetas na imprensa e na internet andavam meio tensos essa semana. Mas como? Afinal, Dilma tinha acabado de ganhar o Dilma II e todos garantiram suas verbas oficiais e boquinhas pelo menos por mais quatro anos.

Mas aí começaram a surgir estranhezas na apuração dos votos (pode ser que sim, pode ser que não) que levaram ao curiosíssimo fato de ministros do TSE anunciarem um voto contrário à auditoria pela imprensa, condenando o PSDB por exercer um direito legal seu.

Isso nem é o principal. Como já disse antes, tal auditoria não vai dar em nada, já que o sistema é feito para não identificar "falhas" depois da contagem, mas pode ser que inicie a mudança nessas urnas suspeitíssimas.

Fora isso, outros assuntos merecem a atenção do eleitor e dos partidos de oposição, como o uso vergonhoso dos Correios pelo PT durante a campanha, a participação ilegal de sindicatos e, claro, o petrolão, que apenas começou.

Sim, porque essa capa da Veja "Eles Sabiam de Tudo" tem o mesmo potencial da capa "Pedro Collor Conta Tudo", caso que terminou todos vocês sabem como, os bolivarianos de galinheiro que se cuidem. Daí a raiva dos petralhas pela capa da Veja.

Não é pela eleição, que eles ganharam com sua campanha suja, mas porque vão passar 4 anos fugindo do destino do seu atual aliado Fernando Collor, já que caso o inquérito não seja enterrado por manobras escusas e tudo o que o doleiro Alberto Youssef disse for provado (e há grande chance de ser), é impeachment da Dilma e inelegibilidade dela e do Lula por 8 anos.

Como o PT vai se virar caso isso aconteça? Vão ter que lançar o Haddad prometendo uma Ciclovia Norte-Sul ou algo parecido.

Por isso hoje o maior foco de tensão para as instituições democráticas não é o executivo e nem o Congresso, mas o STF, que já está petizado e tende a ficar mais ainda. Toffoli, Lewandowski, Barroso e outros são aquela parte do Brasil onde a venezuelização parece que já foi até inaugurada. E daqui até 2018 só tende a se aprofundar, porque pensemos, qual será a próxima indicação isenta do PT para o STF? Marilena Chauí, Netinho pagodeiro ou o Andres Sanchez do Curintia?

Nada que não se resolva de forma democrática, legal e institucional, claro, os próprios petistas deram o mapa do tesouro quando pediram que seu partido tentasse o impeachment de Joaquim Barbosa pelo grave crime de mandar companheiros corruptos para a cadeia.

O povo na rua, determinado e de forma pacífica fez o Congresso derrubar o PL122 em poucos dias, logo se a rua roncar, mandam uma dessas togas companheiras de volta para casa e talvez o resto se enquadre, além de mandar uma mensagem ao PT: ex-advogados do partido não permanecerão na Suprema Corte caso se esqueçam que são EX.

Isso - ou pelo menos a ameaça disso - já diminuiria o risco do petrolão ser celsodanielizado. E com o processo seguindo já posso até imaginar o Michel Temer passando de carro com a mulher na frente do Palácio do Planalto e dizendo "um dia tudo isso será nosso". Veja que doce ironia: pode ser que tudo o que venha separar a Dilma de um impeachment seja a lealdade do PMDB, que ganhará a presidência caso isto aconteça.

Por isso a avidez no "controle da mídia": se os podres continuarem a aparecer, não sabemos onde isso pode parar. É questão de sobrevivência para o PT tirar a Veja de circulação ou "disciplinar" a revista, caso contrário este governo corre sério risco de não completar quatro anos.

Some-se a isso o país dividido (obra deles), o ódio oficializado como elemento da política (obra deles) e a falta de diálogo entre as metades do país (obra deles) e o PT pode colher o que plantou durante 12 anos. Espinafrar, espezinhar, desmerecer e desqualificar metade do país para depois pedir arrego não é uma opção. Agora é tarde, manés.

As manifestações contra Collor começaram com meia-dúzia de gatos pingados. Lembro disso porque estava lá. Conforme as denúncias foram se avolumando, o povo na rua foi aumentando e o Congresso muitas vezes pode ser pilantra, mas não é burro.

Por isto nesse sábado seguinte ao 26 de outubro que reelegeu Dilma, os bem mais de "meia dúzia" que foram para as ruas de São Paulo explicam um pouco da histeria petralha. Eles estão sentindo que a casa pode cair mesmo. Sua única esperança é que isso seja apenas resquício das tensões eleitorais e que o Natal e o carnaval levem o povo de volta para casa para se preocupar com os paredões do BBB.

Mas isso não depende deles, depende da sorte, que se não sorrir para o PT, vai sorrir para o país.

E são eles que vão parar no paredão.

P.S.: A foto em anexo foi tirada neste sábado, 1 de novembro, na avenida Paulista.
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