segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Quanto vale o Brasil?


O brasileiro é, na média, um povo chegado numa desonestidade. Basta ver o tipo de gente que reconduz ao poder há 12 anos, indo para 16. Leis dificilmente "pegam" no Brasil, mas se tem uma que pegou, essa foi a lei de Gérson.

Mas só o fato de gostar de sufragar cretinos, canalhas e corruptos não basta para decretar essa tendência de levar vantagem em tudo e admirar quem o faz, o desarranjo moral se mostra até nas pequenas coisas.

Nem falo de receber troco errado e ficar quieto ou dar uma cerveja para não levar uma multa, mas de coisas ainda menores, tanto na gravidade quanto no valor. Um exemplo: no Aterro do Flamengo moram algumas dezenas, talvez umas duas centenas de gatos.

Eu adoro os bichanos, um monte de gente assim como eu também adora e vai ali dar uma atenção a eles. Colocamos água, comida, fazemos um carinho, damos remédio, vamos enxugando gelo. E não me surpreendeu descobrir que tem gente que não só não ajuda, como vai ali tirar uma vantagem, roubando, isso mesmo, roubando a comida que os voluntários colocam para levar para casa e dar para os seus animais.

O cara não quer saber se o gato dele em casa pode pegar uma doença de algum gato de rua - e existem várias - o negócio é "levar vantagem", que nesse caso se traduz em apanhar alguns punhados de ração, roubando comida de gatos vira-lata.

Nessa linha, também não me surpreendeu quando vi uma iniciativa bem legal dar errado em pouco tempo. Alguém resolveu colocar um varal e um banquinho numa calçada da rua do Catete com uma placa pedindo e avisando: "Se precisar pegue, se não precisar doe".

E as pessoas colocavam ali roupas e sapatos que não queriam mais para que fossem usados por quem não tem quase nada. Funcionou mais ou menos um ou dois meses, até que um dia passei pelo local e vi duas senhoras batendo boca.

- É meu!

- Não, é meu, eu vi primeiro!

- Mas você já encheu uma sacola!

Dei uma meia trava, já pensando em fazer o "deixa disso" quando um segurança da rua me interpelou e disse que as duas iam ali todo dia pegar tudo para vender.

- Quem precisa mesmo tem vergonha de pegar, meu camarada, só pilantra que não precisa é que tem ido ali pegar as coisas pra botar em brechó e bazar.

Dias depois uma placa no local avisava que a iniciativa havia sido cancelada, porque as "doações aqui não estão sendo usadas para ajudar os que realmente precisam".

Tem algo mais ridículo, baixo, cretino e picareta do que roubar roupas velhas de gente que não tem o que vestir? No que diferem essas pessoas desses prefeitos de zonas de catástrofe que embolsam o dinheiro para ajuda humanitária e reconstrução dos seus municípios? No que diferem essas pessoas de uma diretoria de petrolífera que superfatura a compra de uma refinaria obsoleta?

Eu respondo no que diferem: somente no montante.

Então é isso, seja por pouco ou por muito, por um dinheirinho que o político dá em troca do voto, um cargo comissionado, um patrocínio de estatal ou por um bilhão do petrolão, quase todo mundo aqui tem seu preço.

E por isso mesmo o país não vale nada.
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