segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Receita contra o PT: oposição de alta intensidade


Em 2002 Serra perdeu para Lula. Em 2006 Alckmin perdeu para Lula. Em 2010 Serra perdeu para Dilma. Em comum nessas três ocasiões, fora a derrota do candidato do PSDB, houve o fato de que tanto Serra quanto Alckmin submergiram logo após as eleições.

O crescente eleitorado de oposição ficava órfão de quem os representasse assim que terminava a campanha. Note, não vai aqui crítica pessoal ou mesmo ao estilo de fazer política de nenhum dos dois paulistas, homens públicos que admiro, mas apenas constatação.

A época era outra, o lulopetismo vivia sua lua-de-mel com o eleitorado e nem Serra, nem Alckmin possuíam cargos públicos para liderar a oposição a partir dali. Com isso o PT ganhou o tipo de oposição que todo déspota adora: comportada, mansa, "colaborativa". Lógico que a imensa base alugada a partir de mensalões e nomeações dificulta muito o trabalho, mas sempre dá pra fazer mais, digo isso porque lembro que, quando na oposição, com 30 deputados o PT parava o país com sua berraria.

Pois chegou a hora de provarem exatamente o tipo de oposição que faziam. Vou chamar isso de "oposição de alta intensidade", que é exatamente o que o PSDB, aliados e deputados independentes da "base" devem fazer a partir de agora, sem esperar nem mais um dia para começar.

O petismo deve ser combatido com intransigência e seriedade o tempo todo, sem trégua, sem que nenhum espaço seja cedido para eles em troca de nada. Governabilidade é problema do governo. Não à regulação da mídia, ao plebiscito bolivariano, às nomeações companheiras para o STF, aos arranjos suspeitos, aos engavetamentos de investigações, ao silêncio em relação aos atos de governo incoerentes com o que eles defenderam na campanha.

Querem nomear um banqueiro para a Fazenda? Ótimo, melhor do que o Mercadante, mas isso deve ser denunciado, alardeado e dito aos quatro cantos para que o povo saiba que quando o PT falava de Armínio Fraga e seus "pacotaços" ou "tarifaços", apenas mentia para o eleitor, já que fez exatamente a mesma coisa depois.

Não tenham pudor de usar os termos corretos. Lula disse que tinha 300 picaretas no Congresso, pois bem, na sua base aliada tem 500. Chamem mentira de mentira, corrupto de corrupto, comunista de comunista, ladrão de ladrão.

Dominem a narrativa. O PT é o partido da mentira, da calúnia, do assassinato de reputações, da máquina eleitoral de moer pessoas, dos demagogos que dizem e fazem qualquer coisa para vencer uma eleição. Falam, falam, falam, mas quando passa a campanha voltam a governar para Sarneys e Calheiros e Malufs.

Quando chegar 2018 e o caos político e econômico continuar, porque um governo inchado, corrupto e incompetente não tem condições de proporcionar nada diferente, pode vir o Lula montado num jegue de ouro que a oposição estará forte e preparada para enfrentar o macunaíma-em-chefe e seu exército de sanguessugas.

Milhares nas ruas de São Paulo e outras capitais no último 1 de novembro demonstram que o eleitorado da oposição está disposto, pronto, energizado para esta batalha. Aécio Neves já demonstrou que também está.

Que todos sigam então o conselho de Tancredo: não vamos nos dispersar. A longa noite iniciada em 2003 há de terminar.
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