quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Rio de Janeiro, onde é estranho pedir lasanha num restaurante de massas

O Rio de Janeiro é uma cidade cara, mas se você visse o serviço que se presta nela, perceberia que é ainda mais cara do que vale.

Quase todo mundo no Brasil conhece o Spoletto, aquela rede de fast food italiano que fez um vídeo engraçadinho nos primórdios do Porta dos Fundos.

Como é uma rede de comida italiana, entende-se que o cidadão que vai até ali pretende comer e não comprar uma televisão, fazer uma sauna ou executar uma série de musculação.

De posse de tal importante informação, fui até a filial do Spoletto do Largo do Machado não para comprar uma Samsung LCD, tomar um banho turco ou malhar o bíceps, mas comer um prato de massa.

Já na fila na minha frente ouvi uma senhora pedir, nessa ordem, nhoque, lasanha de queijo e presunto ou capeletti, mas não tinha nenhum desses. Parei de prestar atenção e chegou a minha vez.

- Um lumaconi carbonara, por favor.

- Não tem.

- Um fusili então.

- Não tem, só tem espaguete.

- Tá, eu improviso um carbonara.

- Não dá, não tem bacon.

- Pera aí, vocês não têm nada, cadê o gerente?

Aí veio a gerente.

- O que houve?

- O que houve é que vocês não têm nada pra vender, o Spoletto está falindo?

- Que eu saiba não, mas isso não é comigo, não sou eu que faço os pedidos.

Ainda terminei dizendo:

- Mudem de ramo, vão vender TVs ou sapatos, porque comida não é o forte.

Fui embora mas deu pra ver a moça fazendo careta pra outra como quem dissesse "louco, reclamão".

Devo ser doido mesmo, pedi massa num restaurante de massas no Rio de Janeiro. Se ainda chegasse ali pedindo 200 gramas de prego de aço.
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