segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

A segunda eleição mais importante destes tempos


Todo brasileiro é um técnico de futebol que faz bico como cientista político de quatro em quatro anos. E geralmente entende igualmente das duas profissões.

Mas esse não é bem o assunto, o que preciso dizer é que o súbito interesse que toma os cidadãos que se divertem vendo barracos nos debates da TV precisa durar mais um pouco, só mais um pouquinho.

Toda eleição é "a eleição mais importante de todas" segundo os marqueteiros mandam seus candidatos dizerem. Não sei se a eleição presidencial de 2014 foi mesmo a "mais importante de todas", mas foi realmente muito importante. Decidia-se ali se o país assumia de vez seu acanalhamento bolivariano ou se começaria a sair da noite de 12 anos na qual se encontra atrapado.

O eleitor - ou a urna eletrônica, não boto mais a minha mão no fogo - escolheu premiar, essa sim, a campanha mais suja de todas e deu a vitória a Dilma Rousseff.

Inconformados ou não, os eleitores da oposição precisam entender que Dilma será empossada e, caso um impeachment não abata a suposta presidenta em pleno vôo, a agenda petista de tomada do Estado pelo partido terá sequência.

E por isso o interesse do eleitorado deve durar mais um pouco, porque a segunda eleição mais importante de todas ocorrerá no início de fevereiro, quando for escolhida a mesa diretora da Câmara dos Deputados.

Um presidente da Câmara tem poder sobre comissões, arquiva e desarquiva requerimentos, atrasa ou adianta votações, enfim, faz com que a Casa do Povo seja mais ou menos independente do Palácio do Planalto, dependendo da sua atuação.

A oposição sozinha não tem votos para disputar esta cadeira, mas pode se movimentar e se alinhar com alguém que demonstre mais liberdade em relação aos interesses do governo ou lavar as mãos e torcer para que o pior não ocorra.

O que precisamos ter em mente é que "independência em relação ao governo" não é oposição sistemática, mas, como o próprio nome já diz, ter uma postura que não seja a de um mero estafeta do PT. Tal deputado pode votar junto com o governo em algumas matérias, por razões partidárias ou de convicção pessoal, mas também pode ser contra. O que for do interesse do país, do povo, das ruas e da Casa, será feito.

O STF caminha perigosamente para se tornar uma corte bolivariana, as estatais estão infestadas de petistas, a estrutura do governo está pesada, aparelhada, trabalhando em função dos interesses do PT e não do país.

É no Congresso que reside, hoje, a chance da democracia brasileira ter alguma sobrevida. Toda a independência do legislativo que for possível neste momento, este é o nome do jogo.

Vamos aguardar o apito inicial e torcer para a democracia não levar gol contra.
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